Era o penúltimo dia e o sentimento de saudade já começava a bater no grupo. Um misto de alegria e êxtase pelo que já tinha sido vivido e de ansiedade por ter pouco mais de 48 horas para experimentar outros momentos, criar novas memórias e depois voltar para casa.
Acordamos antes do sol, o que já era bem normal àquela altura, e nos preparamos para a última trilha: Morrinhos. Localizada lá na reserva Engenheiro Eliezer Batista, fomos de barco e, claro, aproveitamos para observar mais pássaros e registrar mais uma vez a deslumbrante paisagem da Serra do Amolar. E, no meio do caminho, uma pausa necessária para ver as belas vitórias-régias (sim, tem vitória-régia no Pantanal).
Já em terra e pés na trilha, nossos amigos mosquitos nos deram as boas-vindas. Todos já sabiam como conviver com eles e seguimos por cerca de 8 km morro acima. E lá, quase no topo, estava uma das mais belas vistas para o Pantanal. Tanta água, tanto verde, tanta vida! Vale cada respiração ofegante da subida.
Grupo reunido no Mirante Morrinhos. Foto: Débora BordinVoltamos para a Acurizal no início da tarde. Almoçamos as delícias da Jojô e, sem muito descanso, partimos para a última etapa do roteiro na Serra do Amolar. Mais fotos do grupo antes do embarque (vai que tiramos pouca foto juntos, não é?) e segue o barco, desta vez rumo ao pôr-do-sol na Lagoa Gaíva, já na fronteira com a Bolívia.
Quase chegando lá fizemos uma parada rápida para vermos, de dentro do barco mesmo, inscrições rupestres às margens da baía Gaíva. Elas nos mostram que a civilização pantaneira está por ali há milhares de anos. Mas não tínhamos muito tempo e então corremos atrás do pôr-do-sol.
Morrrinho: mirante para Pantanal. Foto: Rodolfo CésarO quintal do poeta
Ah... e aquele pôr-do-sol, iluminando olhos fascinados e se despedindo de todos, foi propício para um dos momentos mais marcantes de toda a expedição. Adriano, nosso guia e herói pantaneiro, nos mostrou que é também um apreciador das poesias de Manoel de Barros. Entre palavras emocionadas, agradecimentos e até lágrimas dos participantes desta edição do Amolar Experience, um trecho de poesia ficou na lembrança:
"Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós". (BARROS, M. Memórias Inventadas: A Segunda Infância. São Paulo: Planeta, 2006.)
O sol se pôs e tomamos o caminho de volta à reserva, nosso lar por quatro dias, "nosso quintal maior do que o mundo", como diria Manoel de Barros. O céu extremamente estrelado coroou mais um dia de tantas sensações e aprendizados, assim como a prosa e as canções cantadas a plenos pulmões na roda de viola ao fim da noite.
Sua majestade, a Serra do Amolar. Foto: Débora Bordin
O último episódio dessa série, que tentou retratar um pouco do que pode ser vivido no Amolar Experience, está no texto "Águas cristalinas e um barco-hotel navegando no remanso do Rio Paraguai".
O programa de turismo do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) recebeu jornalistas, influenciadores e profissionais do turismo em junho deste ano para apresentação e validação de roteiro.
A ação teve parceria da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (FundturMS), SebraeMS (através do Pró Pantanal Programa de Apoio à Recuperação Econômica do Bioma Pantanal) e Operadora Pure Brasil.
Leia ainda:
https://www.lugares.eco.br/noticias/uma-viagem-de-imersao-na-cultura-e-natureza-do-pantanal/1995/
https://www.lugares.eco.br/noticias/aprendizado-com-a-natureza-nas-trilhas-da-acurizal/1999/
https://www.lugares.eco.br/noticias/o-pantanal-e-lar-do-maior-felino-das-americas/2009/










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