sexta, 19 de agosto de 2022
AMOLAR EXPERIENCE - III

O PANTANAL É LAR DO MAIOR FELINO DAS AMÉRICAS

02 AGO 2022 - 10h40Por DÉBORA BORDIN/FUNDTUR MS

Se você chegou aqui e ainda não leu sobre o início dessa experiência, reportada em uma série de reportagens, clique em “Uma viagem de imersão na cultura e na natureza do Pantanal” e depois em “Aprendizado com a natureza”.

O programa de turismo Amolar Experience do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) recebeu jornalistas, influenciadores e profissionais do turismo em junho deste ano para apresentação e validação de roteiro. A ação teve parceria da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (FundturMS), SebraeMS (através do Pró Pantanal – Programa de Apoio à Recuperação Econômica do Bioma Pantanal) e Operadora Pure Brasil.

A onça: momento sublime

Quarto dia de Amolar Experience e o roteiro da manhã era embarcar em nossa voadeira rumo ao Parque Nacional do Pantanal, que fica entre os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, para fazer focagem de animais. E não dá para começar a falar desse dia sem citar, novamente, o jornalista Felipe Mortara. Ele pediu para que acordássemos uma hora mais cedo do que o costume porque queria ver onça-pintada. Era o desejo de todos, só que não era uma certeza que isso aconteceria. Mas ele tinha essa certeza. E aconteceu.

A melhor descrição sobre como foi e sobre o sentimento vivido ao avistarmos a onça-pintada, animal mais lindo e desejado do Pantanal, é essa:
 
“Isso tudo aconteceu em menos de cinco segundos. Dobramos uma curva de corixo, o igarapé do Pantanal, e o Adriano, piloto do barco, avistou algo num barranco. Até ter certeza, reduzir a velocidade e avisar o grupo foram alguns instantes. Teve gente que achou que era uma lontra.

Nem parecia real. Eram 8h20 e já se iam quase duas horas de safári fotográfico pela mais do que fotogênica Serra do Amolar, pelo emblemático Parque Nacional do Pantanal, já no Mato Grosso, que fica ali do outro lado da Reserva Acurizal.

Onça-pintada. Foto: Felipe Mortara

Ela se mexeu, levantou e foi saindo em direção ao mato. Mal deu tempo de ver, só de sentir. A turma não conteve a surpresa e a euforia. Nem me lembro de ter clicado nada, foi muito instintivo”.

Poucos segundos antes desse avistamento ainda teve promessa para São Longuinho de uns, adivinhação de outros sobre qual barranco ela apareceria, ‘sensações’ de que ela poderia estar por perto. E na hora cada um no barco teve uma reação: de surpresa, encantamento, sorrisos, um êxtase quase silencioso para que ela não se assustasse. Se não fosse o Felipe tê-la fotografado ‘instintivamente’, guardaríamos o momento sublime apenas na memória, o que também seria incrível.

“Era muita ansiedade. Daí ela veio coroar essa expectativa. Provar que existe solução para sonhos bem sonhados. A realização, que pode se dar em pouquíssimos instantes. Que vivência poderosa. Êxtase que se arrasta nas últimas horas. Espero que não passe nunca”, finaliza ele.

Passeio de caiaque: pôr-do-sol com a Serra Amolar de pano de fundo. Foto: Adriano Carlos

De volta à Acurizal, o almoço foi ainda em estado desse êxtase. A tarde foi para assimilar o acontecido, relembrar inúmeras vezes o que cada um sentiu e viveu e, claro, pagar a promessa de 150 pulinhos para São Longuinho. Uma onça pintada não merecia apenas três.

E um dia tão excitante como esse, não poderia terminar de outra forma se não fosse de uma forma sensacional. Então, quando o sol começou a cair, usamos os caiaques disponíveis na Acurizal para um passeio relaxante. Nosso destino era logo ali, depois da curva do rio, onde remamos em duplas para contemplar aquele pôr-do-sol pantaneiro, de dentro do nosso barquinho e diante de uma imensidão que só tivemos noção com uma foto tirada de cima. Espetáculo é a palavra.

Resiliência pantaneira

À noite ‘a prosa foi boa’, como costumamos falar por aqui, com emoções e lições que guardaremos para a vida. Nosso guia Adriano nos contou como foi o enfrentamento ao grande incêndio que aconteceu no Pantanal em 2020, o maior da história da região e que deixou cicatrizes no coração e na memória. Soubemos que cada um ali teve participação importante no combate. Todos heróis.

 
Entre as histórias está a dele próprio que, junto com um amigo, se colocou no meio do fogo para preservar parte da reserva, que viu sua esposa apagar o fogo com os pés descalços em volta de casa para proteger o lar e o filho pequeno, que ajudou a encontrar a famosa onça Joujou acuada dentro de uma casa e com as patas queimadas. Nos contaram que a mesma onça Joujou parecia alertar a todos que lá na casa estava outra onça ferida. Histórias de se emocionar.

Extensão do fogo no entorno da Serra do Amolar, em 2020: chão esturricado. Foto: IHP


E como não citar o trabalho do médico-veterinário Diego Viana, que coordena o Programa Felinos Pantaneiros e teve participação efetiva no ‘grande incêndio’, resgatando animais e prestando os primeiros socorros. Um detalhe: ele é neto de caçador de onças, mas decidiu mudar essa história familiar e agora as protege.
 
Por falar na onça Joujou, vale lembrar que esse nome é uma homenagem. Lembram da Joana (Jojô), que faz as comidas deliciosas da Reserva Acurizal, mencionada lá no texto ‘Viagem ao aprendizado com a natureza’? Ela praticamente abandonou a vida pessoal para cuidar das refeições dos brigadistas e de quem trabalhou ali para salvar o Pantanal do fogo. Era “a primeira a chegar e a última a sair”, como ela mesma me disse. Cuidou de todos, alimentou todos. Então a onça pintada Joujou, símbolo da resiliência pantaneira, ganhou o nome dela.
 
Hoje Joujou, a onça, está curada e linda por aí. Aliás, justamente quando estávamos na Acurizal, os profissionais de lá estavam à procura do colar de monitoramento dela que já havia caído. Este equipamento do programa Felinos Pantaneiros, usado para acompanhar de perto os passos da onça após a recuperação e soltura no habitat natural, tem um tempo de bateria de alguns meses. A bateria havia acabado e então se desprendeu do animal. Sinal que a Joujou estava pronta para a independência, totalmente reinserida na natureza e com o Pantanal novamente todinho para ela.
 
A seguir: “O Pantanal visto de cima e a imensidão da lagoa que parece mar”.

Leia ainda:
https://www.lugares.eco.br/noticias/uma-viagem-de-imersao-na-cultura-e-natureza-do-pantanal/1995/
https://www.lugares.eco.br/noticias/aprendizado-com-a-natureza-nas-trilhas-da-acurizal/1999/

 

 

 

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