quarta-feira, 28 de outubro de 2026 - 11:09
ARTIGO

Vermelhos

28 OUT 2026 - 09h53 Por Nelson Araújo Filho

Antônio Rufino, meu filho, pediu para irmos à passeata do Lula, no sábado 24. Encarei o desafio. Gostei muito da iniciativa dele. Desde 84, Campanha das Diretas, não participava de manifestações, e por isso, apesar de ter apoiado, coçava-me um certo desconforto.

Concentração na praça, ritmos, bandeiras e folia da militância não me intimidaram. 

Encontramos um amigo, Alexandre, seguimos juntos convictos de nossa condição de minoria exposta, nessa terra cinquentenária e rural de ARENA, PDS e herdeiros atuais.

Cinco quarteirões de brava gente. Logo no início, percebi que estava gritando as palavras de ordem com o coração tomado de calor, abraçado em meu filho, ele mais aminado ainda, em sua primeira vez.

Jovens, como ele, eram a maioria, também inúmeras famílias de gente jovem, militantes de outras minorias excluídas, as quais a esquerda bem sabe abraçar, turma antiga do partido, em menor número. Uma multidão de gente do povo na rua e nas calçadas. Sinto-me parte dela, um a mais. Liberto, inclusive, do incômodo, sempre até então vivido, em relação ao vermelho nas camisetas e bandeiras. Aceitei o adesivo, marchei sem medo de ser feliz e orgulhoso do gesto do Antônio. Perdi, com a idade – estou mais para reaça do que vanguarda - as expectativas. Mas resgatei o entusiasmo da luta, um doce embalo de juventude.

Valeu! Valeu muito, filho querido. Valeu Lula. Mesmo na incerteza do resultado em plena vésperas.

(*) Advogado, escritor, poeta e ambientalista

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