sexta, 19 de julho de 2019

“Não Se faz turismo sem o mercado”, diz Bruno Wendling, da Fundtur-MS

20 JUN 2017 - 15h28Por Sílvio Andrade

Pensar o turismo dentro de uma visão de Estado, planejando ações de curto prazo com perspectivas de longo prazo; promover, fortalecer e diversificar os produtos regionais, trabalhando ao lado de um empresariado forte e unido. Estas são as linhas básicas que começam a ser implementadas pelo novo diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), turismólogo Bruno Wendling, 38 anos.

“Precisamos ter efetividade, esta é a lógica do governo”, afirmou ele. “Vamos focar muita nas ações promocionais, identificando quais são os mercados prioritários para o nosso turismo; pensar no desenvolvimento e gerar resultados. Temos pouco tempo, o recurso é escasso e tem que ser muito bem aplicado. Não podemos errar, pulverizar estas ações. Nosso planejamento será alinhado ao trade turístico, com o qual teremos um diálogo permanente.”

Este alinhamento das diretrizes do governo com o empresariado e também com a governança das regiões potencialmente turísticas do Estado, segundo Bruno Wendling, é indispensável para que a Fundtur desenvolva suas políticas de fomento atendendo aos anseios do setor, gerando e transformando as ações da gestão pública em resultados, onde uma das metas é a diversificação dos produtos turísticos. “Não se faz turismo sem o mercado”, observa.

Turismólogo Bruno Wendling, presidente da Fundtur-MS

Com 18 anos de experiência na área, Bruno Wendling é o primeiro turismólogo a assumir a Fundtur. Especialista em ecoturismo, planejamento e interpretação em áreas naturais pela Universidade Federal de Lavras-MG (UFLA), já trabalhou como técnico na fundação e foi consultor do Ministério do Turismo e do Instituto Marca Brasil (IMB). Também atuou na Barcelona Media Inovação Brasil, conceituada empresa de inovações e estratégias associadas ao turismo.

1. Num primeiro momento, qual sua visão do turismo em MS?

“Mato Grosso do Sul é um dos estados com mais particularidades no turismo, temos dois ícones inegáveis, Pantanal e Bonito, nossa vitrine hoje. Mas o estado ainda precisa se posicionar melhor em termos de mercados, potencializar mais a nossa imagem lá fora. Poucos estados tem diferenciais como temos. Divididos o Pantanal com Mato Grosso, mas com vantagem competitiva pela organização das pousadas. Temos dois produtos já consolidados , mas que podem ofertar mais experiências, avançar mais na imagem turística do Estado, posicionar em nível nacional. Temos a Rota Norte com Coxim, Sonora, Rio Verde, Pedro Gomes, com muito potencial. Costa Rica trabalhando hoje já com ecoturismo, aventura. Aparecida, com suas praias de rios, divisa com São Paulo, recebendo muito turistas. Precisamos angariar mais turistas para outras regiões, como Dourados, Ponta Porã. O lado paraguaio, explorar mais esse segmento de compras. Lá tem o Parque Nacional Cerro Corá, onde culminou a Guerra do Paraguai; trabalhar muito com compras, a parte cultural, é uma região que tem fluxo.”

2. Qual sua estratégia para operacionalizar esse nosso potencial turístico?

“Vejo um estado potencial, com dois grandes ícones, tem produtos hoje no mercado nacional e internacional, com boa diversificação de sua oferta, mas é preciso que o mercado esteja atento a isso, que tenha operação, agencias receptivas para ofertas produto, não adianta a fundação fazer promoção, turista vem para cá e não tem quem opere. Vamos trabalhar muito essa parte de operação, isso é fundamental. A atividade turística é econômica, ela é privada; o poder público tem o seu papel fundamental, de apoiar, fomentar e dar condições para, além de regulamentar e fiscalizar, mas quem opera é o mercado. É como um casamento, precisamos muito de operação. Vamos trabalhar muito para reaproximar do trade, uma das linhas estratégicas da fundação, fortalecer esse dialogo, entender de fato quais são as demandas e atender. Vamos trabalhar com planejamento estratégico, de curto prazo; temos pouco tempo e o nossos desafio é de entregar resultados, fortalecendo a gestão desse governo e, consequentemente, o turismo, não só geração de renda, de fluxo, mas buscando a profissionalização da gestão, reaproximação com o trade,  e fortalecimento das instancias de governança das regiões. Não se faz turismo sem mercado, precisamos atender aos anseios do trade, gerar e transformar ações em resultados. Temos dez regiões turísticas que precisam existir de fato, e para isso precisam se fortalecer, se integrar, ter bons produtos. Outra linha estratégica nossa será inovação e apoio à diversificação turística do Estado, ou seja, novos produtos, que sejam inovadores, produtos que a gente ainda não viu no mercado. A gente quer trabalhar muito com o chamado turismo de experiência, o Pantanal tem isso claro, podemos potencializar cada vez mais. São atividades ofertadas ao turismo que podem gerar mais sentimento, mais emoção. Sempre temox experiências em nossas viagens, mas quando você trabalha planejado a gente sabe que tipo de experiência vai oferecer; tem uma metodologia hoje, a economia da experiência, que a gente quer adotar. Bonito foi contemplado com a questão das águas, a flutuação é uma experiência. A gente quer levar isso ao Pantanal, resgatar as cavalgadas pantaneiras, um belo produto, a cultura local é fantástica, tem que ser ofertada. Mas, primeiro, é preciso organizar o produto.”

3. O Estado está precisando de uma identidade, até para as pessoas entende-lo geograficamente?

“Outra linha é melhoria do posicionamento de mercado, focar naquilo que vamos promover. Vamos identificar quais são os mercados prioritários para o nosso turismo. Participamos recentemente de uma feira internacional na Bolívia, que está surpreendendo. Hoje é um dos maiores emissores do Estado, o que não se imaginava há 10 anos. Ainda temos dificuldades de vender nosso destino, tem muita gente que desce em Cuiabá e quer chegar em Bonito. Vamos promover caravanas para esses eventos dentro e fora do Brasil, retomar a vinda de jornalistas nacionais e internacionais, a vinda de agencias de viagem e prepara-las para vender os nossos produtos. Vamps trabalhar a marca turística do estado, escolhida por concurso, proposta muito aceita pelo trade, até para fortalecimento da nossa identidade. Outra linha é a pesquisa temos projeto do observatório do turismo, precisamos transformar os dados em informação,  em tomada de decisões”.

"Campo Grande tem surpreendido, com operadoras oferecendo pacotes de um dia, num raio de 50, 100 km". Fotos: Chico Ribeiro

4. Quais suas metas, considerando que o governo tem mais um ano e meio?

“Vamos fechar nosso planejamento junto ao trade. O trade tem que estar alinhado ao nosso planejamento, que não é da fundação, mas do turismo de Mato Grosso do Sul. Assim que assumimos a fundação, retomamos o dialogo com todos os segmentos do turismo, alinhando expectativas e trabalhando em um planejamento de curto prazo. Temos menos de dois anos de governo e precisamos estar muito focados. Vamos priorizar ações para gerar resultados e que isso possa multiplicar, uma herança para as próximas gestões, com algumas linhas básicas: fortalecimento da governança, com aproximação do trade e planejamento das regiões turísticas;  profissionalização da gestão da fundação, com reestruturação; melhoria do posicionamento de mercado; elencar feiras e eventos prioritários; a nossa marca turística; promoção, mídias digitais, com foco nos destinos turísticos inteligentes; turista quer interação, quer ver viver a realidade virtual; e a linha da pesquisa, transformar isso em informação, dar acesso a estas informações tanto ao Estado quanto o público-alvo. Alinhar isso tudo com o trade e as diretrizes de governo”.

5. E a logística? O Estado ainda carece de melhor infraestrutura?

“Nossos aeroportos ainda carecem de oferta maior, não só de serviços, mas de linhas, contudo melhorado muito. Bonito agora é atendido por uma linha direta com Corumbá e Campinas, isso vai facilitar muito a gente fazer promoção. Temos que facilitar a chegada do turista. Vamos buscar uma articulação junto a Infraero e companhias aéreas. Internamente, o governo tem trabalhado muito para a melhoria das rodovias que interligam as regiões turísticas. Isso facilita muito, inclusive o turismo interno. O governador (Reinaldo Azambuja) disse que o sul-mato-grossense precisa conhecer o Estado, é uma realidade do Brasil. População prefere viajar para fora. Tem muito campo-grandense que não conhece Bonito, vai a Ponta Porã, mas quantas pessoas você acha que conhece o Parque Cerro Corá? O corumbaense conhece a Estrada Parque, o Pantanal, que está ali do lado? Como incentivar, como facilitar essa logística?. Como aproveitar a sazonalidade, a baixa temporada, para o sul-mato-grossense conhecer seu Estado? É preciso criar estratégias. E o turismo de fim de semana? Campo Grande tem surpreendido, tem algumas operadoras que tem feito pacotes de um dia, num raio aqui de 50, 100 km,  em Corguinho, Rochedinho, com caminhadas, turismo de aventura, ecoturismo. Hoje temos um órgão de turismo do município fortalecido e vamos fazer uma parceria. A região também vai ganhar um plano de marketing, e isso é fundamental”.

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