Com 80,36% de cobertura, Mato Grosso do Sul já tem 36 municípios universalizados entre os 68 atendidos pela Sanesul (Empresa de Saneamento) e avança para atingir antes do restante do país uma meta nacional prevista para 2033. Desse total, 36 já atingiram índices de universalização e várias outras estão próximas desse patamar.
Enquanto cerca de 90 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, Mato Grosso do Sul avança para alcançar uma marca inédita: ser o primeiro estado do país a universalizar o esgotamento sanitário.
Vale destacar que o abastecimento de água tratada já alcança 100% da população nos 68 municípios atendidos pela Sanesul. No esgotamento sanitário, o avanço ocorre em parceria com a Ambiental MS Pantanal, por meio da PPP (Parceria Público-Privada), que tem papel estratégico na expansão da rede e na antecipação da meta estabelecida para o setor.
Renato Marcílio, diretor-presidente da Sanesul: "avançando município por município"A estratégia do Estado é chegar à meta anos antes de 2033, prazo definido pelo Novo Marco Legal do Saneamento para que 90% da população brasileira tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto.
O avanço já pode ser observado em diferentes regiões. Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Caracol, Japorã, Laguna Carapã, Paranhos, Ponta Porã, Anaurilândia, Jateí, Inocência e Paranaíba aparecem com 99% de cobertura.
Itaquiraí: de zero para 98%
Outros municípios estão praticamente no mesmo caminho. Aral Moreira registra 98,92%; Bonito, 98,76%; Batayporã, 97,92%; Antônio João, 97,52%; Itaquiraí, 97,46%; Dois Irmãos do Buriti, 97,16%; Chapadão do Sul, 96,86%; Angélica, 96,52%; Tacuru, 96,21%; Figueirão, 95,12%; e Ivinhema, 94,88%.
Itaquiraí é um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação. A cidade saiu de 0% de cobertura de esgoto para praticamente 98% em 2026, passando de um município sem sistema de esgotamento sanitário para a universalização.
Somente na implantação do sistema de esgoto foram investidos R$ 35 milhões. Com as melhorias no abastecimento de água, o pacote da Sanesul no município chega a R$ 42,5 milhões.
A nova ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) foi dimensionada para atender também ao crescimento futuro da cidade. A estrutura conta com tecnologia para controle de odores, prevê o aproveitamento de resíduos sólidos como bioinsumo e permite que a água tratada retorne ao meio ambiente dentro dos padrões de qualidade.

Para o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, o avanço mostra que antecipar a universalização deixou de ser apenas uma meta e está se tornando realidade nos municípios atendidos pela companhia.
“Estamos avançando município por município, com investimentos que permitem ampliar a cobertura e antecipar uma meta que o Brasil estabeleceu para 2033. O compromisso da Sanesul é transformar esses investimentos em qualidade de vida para a população”, destaca Marcílio.
Distante da realidade nacional
Esse desempenho ganha ainda mais relevância quando comparado ao restante do país. Dados do ITB (Instituto Trata Brasil) mostram que cerca de 90 milhões de brasileiros, o equivalente a 43,3% da população, ainda não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto.
O instituto coloca Mato Grosso do Sul entre os estados mais avançados do país em saneamento e aponta que a cobertura estadual está acima da média brasileira.
A evolução ocorreu de forma acelerada nas últimas décadas. Entre 2000 e 2022, mais de 1 milhão de sul-mato-grossenses passaram a ter acesso à coleta de esgoto, enquanto cerca de 870 mil foram incorporados ao atendimento com água tratada.
A presidente-executiva do ITB, Luana Pretto, que esteve recentemente em Campo Grande para detalhar os indicadores de Mato Grosso do Sul e do país, destaca que os resultados já produziram impactos econômicos expressivos.
“A evolução do saneamento em Mato Grosso do Sul gerou quase R$ 20 bilhões em ganhos nas últimas décadas”, afirmou.

25,9 bilhões em benefícios
A antecipação da universalização também deverá produzir reflexos econômicos e sociais nos próximos anos. Estudo do ITB em parceria com a EX ANTE Consultoria estima R$ 25,9 bilhões em benefícios líquidos para Mato Grosso do Sul até 2040.
A projeção considera ganhos proporcionados pelo saneamento em diferentes áreas, como redução de despesas com saúde, aumento da produtividade, geração de renda, valorização imobiliária e fortalecimento do turismo.
Somente na saúde, a economia estimada entre 2025 e 2040 é de R$ 258,8 milhões. O levantamento também projeta R$ 14,8 bilhões em ganhos de produtividade, R$ 2,25 bilhões relacionados ao turismo e R$ 1,7 bilhão em valorização imobiliária.
A expansão também tem efeito direto na preservação ambiental. Com mais esgoto coletado e tratado, diminui a carga de poluentes lançada nos corpos hídricos, impacto considerado especialmente importante para a proteção do Pantanal.
Com 36 municípios já universalizados e uma parcela significativa dos demais avançando para índices superiores a 90%, o Estado entra na fase decisiva de um projeto colocado como prioridade pelo governo estadual.
Mantido o ritmo dos investimentos, a meta nacional de 2033 deverá virar realidade com vários anos de antecedência.
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