“Não podemos generalizar”, reagiu o prefeito de Corumbá, Gabriel Alves de Oliveira, ao comentar a inclusão do município na área classificada como de alto perigo pelo governo do Estados Unidos, que colocou em nível máximo de alerta uma faixa de 160 quilômetros da fronteira brasileira com Paraguai e Bolívia.
Em Mato Grosso do Sul, a classificação atinge cidades como Corumbá e Ponta Porã, justamente em uma região marcada pela atuação de organizações criminosas e pelas rotas internacionais do tráfico de drogas. Em entrevista ao site Campo Grande News, o prefeito corumbaense avalia que é preciso reconhecer os desafios existentes na região de fronteira, mas sem transformar a classificação em um retrato da cidade inteira.
“É preciso separar as coisas. A fronteira, por sua própria característica, exige atenção permanente e não podemos ignorar a atuação de organizações criminosas e os crimes transnacionais que existem nessa região”, afirmou.
Fora da realidade
Segundo Gabriel, Corumbá tem uma população que vive e trabalha normalmente, além de receber turistas e manter uma relação histórica, cultural e econômica com a Bolívia. Para ele, o alerta pode afetar a percepção de quem planeja uma viagem, mas não deve ser interpretado como uma avaliação específica sobre a segurança do município.
“Temos que trabalhar para mostrar a realidade da cidade com transparência, sem esconder os desafios, mas também sem permitir que eles sejam generalizados”, disse. O prefeito também destacou que a segurança da fronteira não é uma atribuição exclusiva do município e defendeu o trabalho conjunto entre as forças de segurança estaduais, federais e municipais.
Gabriel citou como exemplo a Operação Integrar - Fronteira Pantanal, realizada em março deste ano, que reuniu Polícia Militar, Polícia Civil, DOF (Departamento de Operações de Fronteira), Polícia Federal, PRF (Polícia Rodoviária Federal), Receita Federal, Forças Armadas, Ministério Público, Guarda Municipal e Agência Municipal de Trânsito de Corumbá.
Vigilância ostensiva
Para o prefeito, a estratégia deve envolver integração, inteligência, presença ostensiva e ações permanentes de prevenção e repressão ao crime organizado. “A Prefeitura vai continuar fazendo aquilo que está dentro das suas atribuições e, principalmente, cobrando e trabalhando em parceria com quem tem competência direta sobre a segurança de fronteira”, afirmou.
O aviso norte-americano alcança grande parte da região Sul e Oeste do Estado, onde estão cidades como Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Bela Vista, Ponta Porã, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo.
O alerta foi atualizado para incluir o risco de sequestro no Brasil. Segundo o governo norte-americano, crimes violentos, como assassinatos, roubos armados e furtos de veículos, podem ocorrer de dia ou à noite. A publicação também menciona a atuação de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas.
As regiões de fronteira receberam a classificação “nível 4”, a mais grave da escala norte-americana. A orientação usada é “não viaje”. Funcionários do governo dos Estados Unidos precisam de autorização especial para entrar nessa faixa.
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