quarta, 21 de fevereiro de 2024
CURTO PRAZO

Etanol pode reduzir emissões em Fernando de Noronha

12 MAR 2021 - 06h05Por REDAÇÃO

Conhecida como "a esmeralda do Atlântico brasileiro", Fernando de Noronha começa a dar os primeiros passos para implementar o projeto "Noronha Carbono Zero", que tem por meta limpar a matriz energética da ilha. Entre as três ações imediatas previstas, a adoção de veículos elétricos será efetivamente a primeira a passar a? prática, pois já está regulamentada por lei.

O arquipélago e? constituído por um conjunto de 21 ilhas e ilhotas, sendo apenas a principal habitada. Todo o território se encontra sob proteção total em forma de Unidades de Conservação, sendo 70% o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (Parnamar), e 30% Área de Proteção Ambiental (APA). Situa-se a 540 km de Recife (PE) e 380 km de Natal (RN), com uma extensão territorial de 26 km2, sendo 17km2 a ilha principal.

Isoladamente, no entanto, a ação não reduzirá a emissão de gases de efeito estufa: um novo estudo do WWF-Brasil indica que isso só acontecerá quando toda a matriz energética da ilha for mais limpa. A alternativa mais barata e viável no curto prazo e? a adoção de biocombustíveis: as ana?lises mostraram que substituir a gasolina por etanol reduz as emissões de gases de efeito estufa em 77%, enquanto a adoc?a?o de veículos elétricos reduziria as emissões em 52% atualmente. Há, ainda a vantagem de dispensar investimentos públicos e privados em veículos elétricos e sistemas de recarga.

Biocombustível, solução mais barata

"Na corrida pela descarbonização da economia, cidades de todo o mundo têm adotado metas para se tornarem carbono zero, incluindo medidas de restrições a combustíveis fósseis e estímulo a carros elétricos. Mas, o que pouca gente sabe é que Fernando de Noronha começou a discutir um projeto carbono zero já em 2013 e, em 2020, aprovou uma Lei de Veículos Elétricos", destaca Ricardo Fujii, analista de Conservação do WWF-Brasil.

"No entanto, seu abastecimento de energia ainda vem de termoelétricas, fonte altamente emissora. O estudo conclui que a adoção de veículos elétricos em Fernando de Noronha reduziria os custos para reabastecimento desses modelos, mas dependeria de investimentos em geração elétrica renovável e sistemas de recarga para efetivamente diminuir as emissões de carbono. A alternativa mais barata e viável no curto prazo seria a adoção de biocombustíveis. No médio e longo prazo, é preciso concluir a mudança da matriz energética da ilha como um todo: não apenas o consumo de combustíveis, mas também a geração de eletricidade", detalha.

De onde vêm os gases de efeito estufa

De acordo com pesquisa realizada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Pernambuco, cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa em Fernando de Noronha provêm dos aviões, 30% da geração de energia elétrica e aproximadamente 9% dos veículos que circulam nos seus 17 km2 de extensão.

Esses são os três focos de ações imediatas do Projeto Noronha Carbono Zero: atuar com as empresas aéreas para reduzir emissões de carbono dos voos por compensação, com plantio de árvores no continente; implementação mais rápida de veículos elétricos, criando facilidades para o morador; passar a usar energia eólica, solar, biocombustíveis e energia das ondas.

Leia Também

Relatos de viagem

A decoada, o armau e história de pescador no Pantanal do Nabileque

Mais Relatos de Viagem

Megafone

O fogo tem devastado as unidades de conservação do Pantanal, porém as Ongs culpam os vizinhos pantaneiros. E ai MP?

Silvio de Andrade, jornalista

Vídeos

Esportes radicais: calendário de 2024

Mais Vídeos

Eco Debate

ZECA CAMARGO

Dentro da Terra, dentro de mim

Silvio de Andrade

Desembaraçando pantaneiros dos antropizadores 

AFONSO CELSO VANONI DE CASTRO

"Ameaças são naturais, desastres não"