segunda, 19 de abril de 2021
SOLUÇÃO

Construção de PCHs e CGHs pode recuperar o Rio Taquari

14 DEZ 2019 - 10h13Por REDAÇÃO

Com mais de 150 km sem água cortando o Pantanal de Corumbá (MS), o Rio Taquari poderá ser recuperado por meio da construção de PCHs e CGHs na região. A Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas (ABRAPCH) formalizou um convênio com o Instituto AGWA Soluções Sustentáveis para recuperar o rio, que sofre um dos maiores desastres ambientais do Brasil.

O contrato de parceria foi assinado em Curitiba, durante o workshop para implantação de PCHs e CGHs, realizado no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul.

O acordo prevê um estudo técnico para a implantação de CGHs e PCHs na Bacia Hidrográfica do Rio Taquari, principalmente para proteção da bacia e contenção de sedimentos, que, em um processo que ocorre desde a década de 1970, entupiu e mudou de curso o seu canal, inundando permanentemente mais de 1,5 milhão de hectares no Pantanal do Paiaguás.

De acordo com o texto, o Instituto AGWA ficará responsável por buscar apoio na comunidade local, em especial agricultores e pecuaristas. A ABRAPCH tem a missão de articular, com seus associados e empreendedores, a implantação dos empreendimentos. A região já conta com associados da ABRAPCH com eixos aprovados pela ANEEL, no aguardo de licenciamento.

Solução

Márcia Correa de Oliveira, advogada em Campo Grande-MS e uma das sócio-fundadoras do AQWA, conta como surgiu a ideia da parceria:

"Pessoas que antes tinham propriedades que não eram alagas pelo rio, hoje estão totalmente alagadas. Outras tinham rio, e agora tem areia em frente à casa. Uma situação agravada ano a ano. Precisávamos ver uma forma de não piorar ainda mais", explica.

"Não adianta dizer o que está errado e não apresentar uma solução. Então vimos que é conveniente considerar que as PCHs podem melhorar aquele ambiente", acrescenta.

Autoridades presentes na assinatura do convênio, que pode desencadear soluções efetivas para salvar o Rio Taquari

Benefícios

O vice-presidente da ABRAPCH, Pedro Dias, explica de que maneira as PCHs podem salvar o rio:

"As PCHs e CGHs vão auxiliar as matas ciliares, a proteção do solo e proteção ambiental do Taquari na bacia mais alta. Com isso, reduziríamos os sedimentos carreados para o rio e conseguiríamos ter um rio com água. Vamos ajudar o Taquari a reviver. Um projeto ambicioso", comenta.

"Vamos fazer com que a PCH seja um agente de proteção. Não apenas de geração de energia, mas também de utilização dos recursos hídricos de maneira múltipla: lazer, turismo, contenção de sedimentos e recuperação da fauna", acrescenta.

Mais energia

Em relação ao trecho do rio seco, Pedro Dias lembra que PCHs e CGHs não consomem água: "São empreendimentos que não absorvem a água, mas transformam o recurso hídrico em energia. Ao implantar PCHs e CGHs, nosso interesse é quantidade e qualidade de água. Com mais água, mais energia", explica.

Prejuízos históricos

O assoreamento do Rio Taquari trouxe prejuízos históricos para a região, com impactos irreversíveis ao meio ambiente e também econômicos e sociais. Grandes fazendas de criação de gado foram inundadas e mais de 500 famílias de pequenos agricultores nativos foram expulsas, causando um grande êxodo para as cidades. A falta de interesse político na busca de soluções e as ações equivocadas do Judiciário ajudaram a agonizar o rio.

"Além do impacto econômico, não foi bom para a natureza, para os fazendeiros, para produção de gado, enfim, foi prejudicial sob todo ponto de vista. Chegou o momento de termos ações diminuir esses impactos", conta Terezinha Cândido, produtora rural da região do Pantanal, presidente do Sindicato Rural de Coxim-MS.

"A ABRAPCH mostrou que poderia ser uma solução. Precisamos de estudos. Não temos Know how para isso. Para a região, a expectativa é positiva. Pode ser a primeira atitude que realmente vai trazer uma solução concreta", diz Terezinha.

O Instituto

O Instituto AGWA Soluções Sustentáveis é uma organização dedicada ao estudo de transformações ambientais , principalmente aquelas decorrentes da ação humana. A recuperação do Rio Taquari, que há décadas enfrenta problemas com sedimentos, é uma das principais bandeiras do grupo.

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