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ROYAL CHARLOTTE

Coral Vivo mergulha fundo em tesouro desconhecido

05 MAI 2022 - 11h19 Por REDAÇÃO

A 2ª expedição Royal Charlotte vai, em duas etapas diferentes, mapear do ponto de vista geofísico e biológico o banco Royal Charlotte -- um grande alargamento da plataforma continental localizado na costa da Bahia, 100 km ao norte de Abrolhos, que ainda é uma incógnita para a ciência. Quase tudo o que se sabe sobre a plataforma foi descoberto em uma expedição preliminar realizada pelo Coral Vivo em 2020.
 
Na primeira exploração do banco Royal Charlotte, o Projeto Coral Vivo descobriu a presença de diferentes ecossistemas: bancos de rodolitos (algas calcárias), recifes de coral, florestas de macroalgas e planícies calcárias. Também foram encontrados indicadores de uma biodiversidade elevada, com espécies ameaçadas e endêmicas do Brasil. 

Os primeiros resultados indicaram que a região pode ser uma versão menor de Abrolhos, banco que abriga a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. A pesquisa trouxe também um alerta sobre a conservação do Banco Royal Charlotte, que já apresenta sinais do impacto do aquecimento global. Foram observados corais com grau máximo de branqueamento, consequência da alta temperatura do oceano.

Um dos primeiros meergulhos da expedição

Rica biodiversidade

Na expedição em curso, primeiramente será feito um mapeamento geofísico do local, com equipamentos que fornecem informações sobre a composição da plataforma, profundidades, relevos e rugosidade da região, tudo em 3D. Dessa forma, haverá a identificação de recifes fundos (até 60-80m), e outras estruturas como canais e lajes.

Em uma segunda etapa, será realizado uma exploração biológica, com a documentação e avaliação da fauna em vários pontos diferentes do Royal Charlotte. Com base no que foi visto na primeira exploração e no que o mapeamento físico já indicou, é grande a expectativa de que seja encontrada uma rica biodiversidade.
 
Essa ação do Projeto Coral Vivo, liderada pelo Prof. Dr. Paulo Sumida, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) pretende, além de conhecer e documentar a região inexplorada, identificar o impacto humano sobre ela e traçar planos de conservação. A expedição conta com equipamentos da USP, como sonar multifeixe (veículo submarino operado remotamente ou ROV) que operará em maiores profundidades, e outros.

Pesquisadores e mergulhadores profissionais pretendem fazer mergulhos de até cerca de 60m, contando com equipamentos de segurança, utilizando gás de fundo com trimix (nitrogênio, oxigênio e hélio), além de nitrox 50 e oxigênio nas paradas descompressivas. O mergulho técnico é uma importante ferramenta de trabalho nessa inesquecível jornada! Os mergulhadores estão também utilizando o “rebreather”, um equipamento que não solta bolhas e faz a reciclagem do gás respirado, aumentando a autonomia e o tempo de mergulho.

Pesquisadores da USP e da UFRJ

Rede de pesquisa 

Todo o material biológico coletado na expedição irá se juntar ao já precioso e extraordinário acervo do Museu Nacional/UFRJ (sim, as coleções científicas de invertebrados e peixes recifais brasileiros, em parte resultado de esforços de pesquisadores associados ao Coral Vivo, não foram afetadas pelo incêndio de 2018!).

O Banco Royal Charlotte tem aproximadamente 100km de extensão, uma profundidade que varia entre 70m e 3.000m e deve abrigar rica biodiversidade marinha. Pelas atividades de pesca esportiva e comercial sabe-se que ali ocorrem, por exemplo, grandes peixes, como atuns e marlins. Jubartes e golfinhos também utilizam a área.

O Royal Charlotte faz parte do Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos, o PAN Corais, que contempla 52 espécies ameaçadas de extinção e tem objetivo geral de melhorar o estado de conservação dos ambientes coralíneos por meio da redução dos impactos antrópicos, ampliação da proteção e do conhecimento, com a promoção do uso sustentável e da justiça socioambiental.

O Projeto Coral Vivo é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e trabalha com pesquisa, educação, políticas públicas, comunicação e sensibilização para a conservação e a sustentabilidade socioambiental dos ambientes recifais e coralíneos do Brasil. Concebido no Museu Nacional/UFRJ, hoje é realizado por 14 universidades e institutos de pesquisa.

Mais informações no site do Coral Vivo
Entenda melhor sobre os recifes e ambientes coralíneos no canal do Youtube do Coral Vivo

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