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PARQUE

Chapada dos Veadeiros ameaçada pela grilagem de terra

21 ABR 2022 - 10h02 Por CORREIO BRASILIENSE

Criado em 1961, por meio de um decreto do presidente Juscelino Kubitschek, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV), localizado a 259 km de Brasília, sempre sofreu com um histórico de ameaças em relação aos próprios limites e, consequentemente, com a devastação ambiental. Hoje, a área de 240.611 hectares, reconhecida desde 2017, e terras das comunidades quilombolas localizadas próximas ao parque, sofrem com invasões de grileiros e até de garimpeiros. Desde o início da pandemia, moradores da região, que se sentem desamparados, apontam a piora da situação.

Segundo estudiosos da região, alguns fatores têm aumentado o problema da grilagem na região. "O fato de a gente ter em tramitação um projeto de decreto legislativo tentando revogar a ampliação do parque dá muito espaço e ânimo para aqueles que têm interesse em grilar terras na Chapada dos Veadeiros", explicou Isabel Figueiredo, assessora técnica do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e membro da Associação Amigos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (AVE).

Incentivo às invasões

O projeto de decreto legislativo (PDL) citado por Isabel é o 338/2021, de autoria do deputado Delegado Waldir (União-GO), que prevê a redução de até 73% da área de conservação do Parque Nacional. A proposta é a derrubada do decreto assinado em 2017 pelo então presidente Michel Temer, que na época ampliou a área de conservação do parque — de 65 mil hectares para 240 mil hectares. A justificativa seria que a ampliação da área poderia deixar centenas de agricultores sem fonte de renda.

Para a assessora técnica do ISPN, ainda que o projeto esteja em tramitação, o debate dele já gera danos. "Não precisa um projeto de lei ser aprovado para ele começar a gerar um monte de malefícios no campo. Um exemplo disso é a questão da mineração em terras indígenas. A partir do momento que o Congresso passa a discutir, o pessoal em campo já está detonando", criticou.

Para além da discussão de uma redução do parque, o posicionamento do governo federal diante das questões ambientais também interfere indiretamente nas invasões de terras. O presidente da Associação Kalunga Comunitária do Engenho II (AKCE), Adriano Paulino, acredita que as falas vindas do governo atual impulsionam as invasões. 

"Quando você tem um ministro que diz que, no momento da pandemia, era a hora de passar a boiada, começa a mudar o cenário. Quando você está no governo e é exemplo nacional, é preciso medir muito o que falar. Com o governo dando carta branca para todo mundo, a gente tem muito a perder", destacou o líder comunitário.
 

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