Alimentação, demarcação de território, pequenos passeios, paradas para descanso e até mesmo indícios de briga entre as onças-pardas não escapam das câmeras do Onçafari, projeto dedicado ao estudo e conservação da vida selvagem, que já identificou cinco indivíduos no Legado das Águas -- maior reserva privada de Mata Atlântica do país, localizada no Vale do Ribeira, interior de São Paulo.
A onça-parda é o segundo maior felino do Brasil, que pode ser encontrado em diversos biomas brasileiros, além do Canadá até a região meridional da cordilheira do Andes. Porém, mesmo com a ampla distribuição, é ameaçada de extinção em algumas localidades.
A instalação das câmeras (armadilhas fotográficas) faz parte da parceria entre Onçafari e o Legado, que visa realizar o levantamento populacional de onças-pardas (Puma concolor) e onças-pintadas (Panthera onca) na Reserva, para ações de proteção desses felinos na Mata Atlântica. Somente no último ano, as onças-pardas foram responsáveis por 300 registros, o que possibilitou a identificação de cinco animais, quatro machos e uma fêmea.
Características e identificação
Monitorar e diferenciar onças-pardas (Puma concolor) é uma tarefa desafiadora. Isso porque, diferentemente das onças-pintadas (Panthera onca) -- que são identificadas por suas rosetas, ou seja, as pintas --, os pesquisadores individualizam as pardas por marcas físicas, como cicatrizes e características do corpo.

Com isso, cada uma das onças-pardas já identificadas no Legado das Águas foram batizadas de acordo com as suas características marcantes, sendo os machos: o Tikún, que significa “quebrado” em tupi-guarani, remetendo à ponta da cauda quebrada; o Troncho, por conta de uma das orelhas ser caída; o Dengoso que se destaca pelo seu porte, sendo uma das maiores onças-pardas registradas pelo Onçafari no Legado, e pela sobrancelha com detalhes marcantes na cor branca; e o Naurú, que tem um andar característico, cicatrizes pelo corpo, sendo uma delas nos olhos; e a fêmea: a Capitu, uma digna homenagem à personagem da literatura brasileira pelo olhar marcante, olhos bem redondos e amendoados, com sobrancelhas marcadas, cauda espessa e a cor do corpo, que chama a atenção pelo tom marrom-avermelhado.

Floresta saudável, onças também
Os registros mais recentes dos indivíduos monitorados mostram comportamentos típicos das onças-pardas, como demarcação de território, descansos, abdômen saliente devido à alimentação e até ferimentos ocasionados por brigas, o que é comum entre os machos da espécie. Segundo Bárbara Dias, bióloga e coordenadora Onçafari na base do Legado das Águas, esses registros demonstram que esses animais seguem bem e saudáveis.
“Os registros demonstram que a qualidade da floresta no Legado das Águas está proporcionando bem-estar a esses animais, assim como para outras espécies também”, acrescenta a bióloga.
Embora nem todos os cinco indivíduos identificados tenham sido registrados na última campanha (período entre a instalação da câmera e retirada para coleta das imagens), realizada de outubro a dezembro de 2021, a frequência das aparições no último ano possibilitou a coleta de informações importantes sobre a espécie, que é pouco estudada na Mata Atlântica.
O quinteto poderá ser acompanhado pelas redes sociais do Legado das Águas, basta buscar @legadodasaguas no Facebook ou Instagram.
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