Ranking inédito da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre desenvolvimento sustentável, divulgado recentemente, coloca Campo Grande entre as sete capitais brasileiras com melhores desempenhos, porém na 225ª colocação na classificação geral das 770 cidades pesquisadas pelo Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades - Brasil (IDSC-BR).
Trata-se de um estudo desenvolvido pelo Programa Cidades Sustentáveis (PCS), em parceria com a Sustainable Development Solutions Network (SDSN), uma iniciativa da ONU para monitorar os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) em seus países-membros.
Embora tenha atingido o ODS em dois indicadores – energias renováveis e acessíveis à população e proteção da vida aquática com ampliação da rede de saneamento -, a capital sul-mato-grossense ainda tem grandes desafios a superar para atingir todas metas preconizadas pelo programa. Um deles é acabar com o favelamento.
O não cumprimento dos eixos de uma cidade sustentável, no entanto, é geral. Nenhuma das cidades pesquisadas atingiu a pontuação máxima (100). A maior nota entre as 26 capitais foi para Curitiba (66,03). A melhor cidade foi Morungaba (73,40), com 13.005 habitantes, situada na região metropolitana de Campinas (SP).
Crédito: Chico RibeiroBaixa pontuação
Cidades sustentáveis são aquelas que alinham seus padrões de vida, produção e consumo com base em uma combinação entre aspectos econômicos e socioambientais. Em vez de promover um crescimento e consumo desordenados, adotam políticas públicas e ações que impactam positivamente a sustentabilidade. Isso pode se dar com ações que envolvem mobilidade, matriz energética, educação e destinação de resíduos, entre outras áreas.
O objetivo mais desafiador é o 3 - saúde e bem-estar, justamente o que apresenta uma relação direta com a pandemia em sua meta 3.d, que preconiza: reforçar a capacidade de todos os países, particularmente os países em desenvolvimento, para o alerta precoce, redução de riscos e gerenciamento de riscos nacionais e globais de saúde.
o índice da ONU apresenta uma avaliação dos progressos e desafios dos municípios brasileiros para o cumprimento da Agenda 2030. Embora as cidades ainda tenham quase dez anos para avançar, ficou evidenciado a maioria dos municípios está muito distante de cumprir as metas estabelecidas em 2015.
Crédito: Denílson SecretaCampo Grande teve o segundo melhor desempenho na região Centro-Oeste, atrás apenas de Goiânia (61,68), em 111º. Cuiabá teve nota 52,47, na 459ª posição. Em Mato Grosso do Sul, mais quatro cidades foram avaliadas; Dourados (54,48), na 388ª colocação; Mundo Novo (54,27), em 399º; Corumbá (49,51), em 562º; e Aquidauana (45,84), na 665ª posição.
Metodologia
Neste ODS, 756 das 770 cidades estão no pior quartil do sistema de classificação e as outras 14, no segundo pior. Nenhuma cidade está nas duas melhores faixas da escala, que significam que o objetivo foi atingido (no caso do melhor quartil) ou que há alguns desafios para atingi-lo (no caso do segundo melhor). Importante destacar que os dados e indicadores do índice não levam em consideração os efeitos da pandemia, uma vez que se referem a períodos anteriores à disseminação do novo coronavírus.
Crédito: Denílson Secreta
O IDSC-BR apresenta uma avaliação abrangente da distância para se atingir as metas dos objetivos ODS em 770 municípios, usando os dados mais atualizados (tipicamente entre 2010 e 2019) disponíveis em nível nacional e em fontes oficiais. As cidades foram selecionadas de acordo com os seguintes critérios: capitais brasileiras, cidades com mais de 200 mil eleitores, cidades em regiões metropolitanas, cidades signatárias do Programa Cidades Sustentáveis (PCS) na gestão 2017-2020 e cidades com a Lei do Plano de Metas, além de contemplar todos os biomas brasileiros.
A pontuação do IDSC-BR é atribuída no intervalo entre 0 e 100 e pode ser interpretada como a porcentagem do desempenho ótimo. A diferença entre a pontuação obtida e 100 é, portanto, a distância em pontos porcentuais que uma cidade precisa superar para atingir o desempenho ótimo. Há uma pontuação para cada objetivo e outra para o conjunto dos 17 ODS.
O mesmo conjunto de indicadores foi aplicado a todos os 770 municípios para gerar pontuações e classificações comparáveis. Diferenças entre a posição de cidades na classificação final podem ocorrer por causa de pequenas distâncias na pontuação do IDSC.
A iniciativa conta com o apoio do Projeto CITinova e consiste em um extenso trabalho de seleção, coleta e sistematização de dados de 770 municípios brasileiros, incluindo as capitais estaduais, além de cidades de todas as regiões metropolitanas e biomas do país. Ao todo, foram utilizados 88 indicadores de gestão relacionados aos diversos temas abordados pelos 17 ODS. O levantamento dos dados foi realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
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