Um dos portais de entrada para o Pantanal, Miranda busca retomar o turismo em 2022 se reformulando para se fortalecer como um destino não apenas de pesca, mas com forte tendência para o ecoturismo. A prefeitura, com o apoio da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur) e Sebrae, está empenhada em repaginar esse turismo de natureza começando do zero: o planejamento.
A partir de um workshop, realizado na semana passada, o município pretende reorganizar o setor, integrar e fortalecer todos os segmentos que envolvem a cadeia do turismo, qualificar a mão de obra e redimensionar os produtos em potencial hoje oferecidos nas prateleiras de operadoras nos centros emissores, inovando na oferta e na qualidade dos serviços.
Esse novo marco do turismo em Miranda, cidade mais antiga do Estado localizada a 220 km de Campo Grande, está sendo entabulado pela secretaria municipal de Turismo, Cultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. O titular da pasta, Ricardo Alexandro Pereira, convocou os empresários do setor para discutir essa reestruturação e um plano de longo prazo para enfrentar o período de pandemia do coronavírus e avançar após o controle da doença.
Secretário Ricardo AlexandreTurismo de natureza
Hoje, o turismo mirandense não tem um plano de ação, tão pouco um conselho municipal, que está sendo reativado. Os atrativos e as agências atuam à margem e a maioria não recolhe impostos. A cidade, que no dia 16 de julho completa 243 anos de fundação, explora seus recursos naturais de forma desordenada – ou cada um por si. A prefeitura somente agora acordou para esta realidade.
“O primeiro ponto desse planejamento é a gestão municipal se aproximar do empresariado, o que nunca houve. Discutir com ele o turismo que queremos e definir um plano de ação com metas durante e pós pandemia”, afirma Ricardo Alexandro. “Hoje predomina a pesca esportiva, mas temos muitos empreendimentos trabalhando com ecoturismo, o turismo ao ar livre é a nova tendência e somos potenciais”, frisa.
Paralelamente a regulamentação dos atrativos, a prefeitura vai criar um plano de ação respaldado em consultorias e apoio técnico da Fundtur e do Sebrae, definindo algo que também não existe: orçamento, com o qual o município potencializará o turismo com divulgação em feiras e nos centros emissores, inclusive nos países vizinhos Bolívia e o Paraguai.
Turista acompanha uma comitiva pantaneira, um dos atrativos bem sucedidos em MirandaLocalização estratégica
Uma das propostas apresentadas pelo secretário de Turismo no workshop é explorar por meio de concessão a inexplorada Reserva Biológica Marechal Cândido Mariano Rondon, criada pelo município em 2017. A unidade possui 850 hectares e o grande atrativo é a maior caverna vertical do Estado, com 140 metros de profundidade e águas cristalinas e diversas galerias subterrâneas.
Para o analista de turismo da Fundtur, Geancarlo Merighi, um dos palestrantes do workshop, o alinhamento que o município busca é o ponto crucial para desenvolver ações de fortalecimento do destino de forma criativa, profissional e inovadora, esta a palavra-chave. Também considera fundamental conhecer quem visita a cidade, trabalhando as estatísticas para a tomada de decisões e estratégias promocionais.
Caverna da Reserva Biológica“Miranda tem diversos produtos muito fortes e interessantes nas prateleiras”, diz o especialista. “É muito importante o município se movimentar para fazer seu planejamento, direcionar seu desenvolvimento turístico. Miranda tem uma localização estratégica, está perto de Campo Grande, Bonito e Corumbá e tem fácil acesso ao Pantanal”, aponta.
Paraíso da onça-pintada
A pesca esportiva é uma tendência praticamente consolidada em Miranda, mas são tantas ofertas que não deixam dúvida quanto ao predomínio do turismo rural, de vivência do Pantanal. Os atrativos incluem o lado histórico da centenária cidade, que não faz parte do roteiro: são suas construções de arquitetura do início do século XX, como a Matriz de Nossa Senhora do Carmo, padroeira local, e a estação ferroviária.
Passeio em família no Rio Salobra: contato direto com a natureza e lugar ideal para observação da fauna pantaneiraA tendência da cidade não valorizar seu patrimônio histórico é um dos desafios a ser superado nessa nova guinada que se pretende implementar ao turismo local. Valorizar e preservar. O reordenamento do turismo, segundo o secretário Ricardo Alexandro, passa também pela expressiva cultura mirandense, pouco difundida. Sem falar na rica gastronomia e o diferenciado artesanato criado pela segunda maior população indígena do Estado.
As belezas naturais, no entanto, são o carro-chefe. A região integra a rota Bonito-Pantanal e recebe cada vez mais turistas em busca de novas experiências ao ar livre. O município conta com dois grandes empreendimentos: o Refúgio Ecológico Caiman e a Fazenda San Francisco, onde a grande atração é a onça-pintada. Outros atrativos despontam, como o Projeto Salobra Ecologia e Turismo, no cênico Rio Salobra, e o pacote ecológico-cultural oferecido pela operadora Pioneiro.
Participaram do workshop a presidente do Visit Pantanal, Lejania Ribeiro; João Henrique Behrendt, da área de promoção, divulgação e marketing turístico; e o coordenador do Governo do Estado na região, Gérson Prata.
Conheça mais Miranda:
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