segunda, 04 de julho de 2022

Taquari: morte assistida em eutanásia não consentida

17 ABR 2022 - 20h49Por ARMANDO ARRUDA LACERDA

Enésima apresentação do problemático Rio Taquari a um novo ministro da Agricultura e Abastecimento, apontamentos cansados de tanto ver lamentar as carpideiras de sempre.

Ainda bem que o ministro só participou da abertura, foram 3 horas e 49 minutos de um seminário sobre o Rio Taquari, sem ninguém baixar os olhos, por átimo, para o Rio Taquari da planície pantaneira...

Não existe só um Rio Taquari, e não estou me referindo ao homônimo também navegável rio estadual no Rio Grande do Sul.

Este rio federal, Rio Taquari, que nasce a mais de 782 metros de altitude na Serra do Caiapó, município de Alto Taquari, estado de Mato Grosso, tem 842 quilômetros de comprimento para uma declividade total, nesse trecho de planalto, de 662 metros!

Temos, portanto, o abrupto e veloz Taquari passível de reter todo seu sedimento, e muita água e força, para períodos de seca mediante barragens nos seus quilômetros de voçorocas.

De outro lado, teríamos os 430 quilômetros já assoreado Rio Taquari com uma declividade na planície, iniciando-se pouco abaixo de Coxim, em 120 metros sobre o nível do mar, lá na distante Argentina.

A altura do aporte do sistema deltaico da foz do Rio Taquari, no Rio Paraguai, encontra-se na cota de 90 metros, isso nos permite apresentar a todos os interessados um Rio Taquari com apenas 30 metros de declividade, entre Coxim e os passos fronteiros do Rio Paraguai: Passo Otília Superior e Otília Inferior.

Temos, portanto, um Rio Taquari no planalto extremamente apto a regular fluxo de água e esbanjando força para compensar, por esse aproveitamento de energia limpa, a plena recuperação de sua sub bacia, conforme demonstram todos os estudos do PCBAP. Mas parece que só falar nisso virou pecado.

Na planície, também tornou-se pecado pensar em tirar a areia, com que décadas de comissão e omissão lentamente tamponou o leito do Taquari, e dispor tal areia no talude das margens dos lados Paiaguás e Nhecolândia, isso sim seria uma "catástrofe" merecedora de excomunhão do seio da virtude e cancelamento imediato.

Entre consertar um rio, com técnicas existentes, opta-se por mantê-lo agonizante, aguardando sua morte, com a agilidade ao nada Gir além de projetos e projetos, quiçá por outros 40 anos...

O Pantanal nunca impõe, mas nesta Páscoa de 2022, haveremos de nos expor nesta contrita oração, para que as águas de um novo Taquari refeito, faça ressuscitar seu velho leito, sem o qual nossa vida está parecida com um cativeiro!

(*) Pantaneiro, do Porto São Pedro, Corumbá-MS

 

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