segunda, 04 de julho de 2022

Porque precisamos falar sobre ecoansiedade nas crianças

09 JUN 2022 - 11h07Por VICTOR SANTANA

Na semana em que comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, quando os olhos do mundo estão mais voltados para as questões ambientais nas diversas esferas da nossa vida, gostaria de destacar um tema que tenho visto ganhando espaço na imprensa, mas que já tenho notado com mais frequência em alunos, e que considero de extrema importância, por envolver educação, meio ambiente e as crianças.
 
Ecoansiedade ou ansiedade climática. Segundo os especialistas, é um efeito sobre o psicológico de crianças e adolescentes diante dos impactos visíveis do colapso ambiental do nosso planeta e do excesso de informações e notícias sobre o tema.
 
Ou seja, é cada vez mais comum, que um maior número de crianças e adolescentes se preocupem e sejam afetadas pelas questões ambientais atuais do planeta e principalmente, de como será o ambiente em que elas e seus descendentes viverão nos próximos anos.
 
Exageros na forma como o tema é abordado ou mesmo como essas notícias são interpretadas pelas crianças, têm provocado em muitas delas reações diversas, como o medo de terem filhos e a sensação de impotência e desesperança nos rumos da humanidade num futuro não tão distante.
 
Infelizmente, as consequências acima têm fundamento e são corroboradas por uma pesquisa recente realizada pelas Universidades Stanford, na Califórnia, e de Helsinque, na Finlândia, em conjunto com mais cinco instituições. O resultado aponta que, dos 10 mil entrevistados entre 16 e 25 anos de idade em dez países, 48% dos brasileiros disseram que as mudanças climáticas afetam negativamente a intenção de ter filhos.
 
Outro dado importante, este da Associação Americana de Psicologia, mostra que de 25% a 50% das pessoas expostas a um desastre climático extremo têm risco de desenvolver problemas de saúde mental. E que 45% das crianças sofrem de depressão após um acontecimento como esse.
 
Diante de tantas evidências e da complexidade que envolve toda a discussão, penso, como diretor de uma instituição de ensino, de que forma as escolas, em conjunto com os pais e a comunidade, podem ajudar a amenizar uma dor tão genuína e que já consegue ser tão presente no dia a dia dos nossos jovens.
 
Acredito que todos esses atores possuem responsabilidades e precisam estar mais atentos. É claramente necessário que as crianças saibam, de maneira positiva, que é importante que cada um faça a sua parte e que existem muitas pessoas preocupadas trabalhando em prol do atual e do futuro do planeta.
 
As crianças também precisam saber que tanto seus pais, como a escola, têm consciência e entendem o medo e a preocupação que elas sentem. E claro, todo tipo de informação que é transmitida e que chega até elas deve ser apurada para ter certeza de ter sido oriunda de fontes realmente confiáveis e comunicadas de forma adequada para cada idade.
 
Sabemos que a emergência climática é uma realidade e que esforços têm sido realizados por cidadãos, entidades e governos em todo o mundo. É uma pena que os nossos pequenos já começaram a pagar a conta e a sofrer as consequências do que tem sido feito pelas gerações passadas com o nosso planeta.
 
Entretanto, não é saudável tapar o sol com a peneira. Pais e escolas devem mostrar às crianças que todos habitamos em um planeta com problemas, mas com reais possibilidades de cura. E que a educação, em conjunto com a consciência ambiental, são o caminho para que isso se concretize.

* Diretor da rede Sphere International School
 

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