quarta, 29 de julho de 2026
ARTIGO

Na solidão do cerrado

29 JUL 2026 - 11h28Por ARMANDO ARRUDA LACERDA

Flor vermelha chamou?
Não era flor, era fruto!

Voltando sozinho da Fazenda Belém, para Fazenda São Luiz, inebriado pelo perfume da florada do assa peixe, ao adentrar o varadô do cerrado, essa flor vermelha me chamou.

Parei e a arrodeei fascinado, fazendo o vídeo, na chegada tive que consultar nosso estimado mestre pantaucho (Arnildo) Pott:

"Caro pantaneiro Lacerda, essa arbusto escandente é uma Malpoghiacea Malpighiacea (família da canjiqueira), cipó-prata, Niedenzuella stanea. Era do gênero Mascagnia de plantas tóxicas, que causam morta súbita porque deformam o coração. Mas essa espécie não tem registro de toxidez. As flores são as amarelas, as vermelhas são os frutos."

Num extremo dessa família temos a acerola e a canjiqueira ou murici, comuns no cerrado e caatinga pantaneiras; noutro extremo a tal mortal espirradeira; em algum ponto intermediário temos a chuva-de-ouro e a medicinal caferana, e na Amazonia o  famoso cipó caapi ou ayahuasca, de uso pelos pajés em cerimônias religiosas.

Obrigado, Mestre Pott, por tão oportunas informações.

O cipó prata me fez muito bem ao deformar definitivamente meu coração, pelas belezas da flora dos cerrados e caatingas do Pantanal!

(*) Pantaneiro do Porto são Pedro, Serra do Amolar, Corumbá (MS)

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