Onde estão as cores, pincéis, mãos criativas, os sonhos, a imaginação, a força da melodia e
o lúdico de cada um? Para Marte não foram! Se estão aqui, no nosso planeta pequeno, temos
que encontrar tudo isso e mais um pouco de volta. Ou, preferimos a mediocridade? Como! De
espécie superbem sucedida, chegar a ponto de priorizar doenças, defeitos, guerras e tragédias,
como temas de mídia? Somos melhores do que estas tragédia existencial que começamos a
construir. Será que nossa melhor criação é o aquecimento global? Ou talvez admiração por um
pequeno número de almas, que, controlando pessoas, usando o simbolismo do dinheiro,
querem evocar para si a glória não autorizada pela fome. Eis um tipo de caráter inadequado
para o momento drástico, que muitos se recusam a constatar.
Se foi a atitude materialista quem nos colocou nessa situação, descontruir isso vai precisar
do antídoto: o bom e velho caráter solidário dos humanos. No entanto, todo mundo já sabe!
É um predador, ainda. Um estilo inconveniente. Por outro lado, dentro de cada um, também
está o lado bom. Não precisa ser um natureba irrestrito, basta lembrar que tudo o que move a
vida, é sagrado. No mundo invisível, idem. E a receita para reequilibrar a relação homem x
natureza recai em intenções abstratas, como a solidariedade e o afeto. Ele é o açúcar da
beleza.
Onde estariam os bons e sinceros apertos de mãos? Gentileza, já virou bolsa de Louis
Vuitton. Empatia é coisa de psicólogo organizacional. Sorriso sincero anda difícil também.
Abraço demorado pode virar transa. Etecetera..... Há um estranhamento, antes da
espontaneidade. O melhor da humanidade está escondido onde? Definitivamente, não somos
esse bicho que a mídia de massa mostra. Estão querendo nos fazer voltar a parecer com os
bichos que domesticamos? É hora de Nêmesis reaparecer. Quanta falta nos faz a bondade.
Inclusive para a saúde mental. A saúde institucional e religiosa anda com as pernas fracas.
Então, melhor ouvir de novo Louis Armstrong, cantando “What a Wonderful World (Que
mundo maravilhoso).
Já não basta o ser humano comprometer seu próprio habitat, perder a essência do caráter
humanizado, a solidariedade, restará pouca coisa do que seja civilizado. Então, cá estou a
procurar, nas letras e palavras, a beleza das coisas sem ser taxado de sonhador.
As vezes penso que o sumiço do olhar para coisas bonitas, abriu espaço exagerado para o
lado obscuro do predador que existe em cada um de nós, que inclui tudo aquilo que torna
pessoas pouco atraentes entre si. É uma luta interior de cada um, pois as massas já estão
doutrinadas pela “beleza” manufaturada. Este delicado momento de desagregação do tecido
social, pode desenvolver uma reação em cadeia sobre o humor. A epidemia não declarada de
Depressão, é apenas a ponta do iceberg. Ela costuma descolorir a existência. Então, como
terapia, vou cultivando flores e beija flores, e relendo as estrofes de Manoel de Barros.
Onde reencontrar a beleza sumida?
Em objetos consumidos como status é que não. Nas pessoas sim!
(*) Psicólogo humanista
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