quinta, 18 de junho de 2026
ARTIGO

Intervenção no Consórcio Guaicurus não é a solução definitiva

18 JUN 2026 - 09h07Por FAYEZ FEIZ JOSÉ RIZK

O sistema atual opera sobre uma lógica urbana que deixou de existir há décadas — e por isso fracassa.

Leio que a Prefeita Municipal decretou a intervenção no Consórcio Guaicurus.

Mas como sói acontecer ultimamente, espero que mesmo acertando, não esteja errando!
A intervenção certamente eleva a expectativa da população na resolução desse problema gravíssimo que é a deterioração do sistema de transporte público por ônibus.

Mas, pelo que leio, esta ação não vai resolver o problema!

Estou cansado de escrever e rouco de tanto dizer: o que está errado é o planejamento das linhas desse sistema!

Podem colocar novos ônibus, mesmo os ultrapassados movidos à diesel, fazer mudanças administrativas e financeiras que, com esse sistema de linhas, afirmo, essas mudanças não vão resolver o problema!

O sistema atual é a degeneração de um planejamento feito em 1977 e implantado no começo da década de 90.

A concepção desse sistema foi feita para uma Lei de Ocupação e Uso do Solo Urbano (LOUS) que privilegiava o adensamento populacional em torno de eixos de transporte, com terminais ao longo desses eixos, estes alimentados por rede de ciclovias e calçadas acessíveis e, coroando, um terminal central do sistema.

As linhas de ônibus, divididas em troncais e alimentadoras, se conectariam por enlaces: assim, o usuário do sistema sairia da sua casa e alcançaria o terminal mais próximo – ou um ponto – a pé ou de bicicleta, acessaria uma linha e se dirigiria a um outro terminal para acessar uma outra linha ao seu destino, isso em movimentos coordenados e rápidos.

Infelizmente, a concepção de ocupação do solo urbano mudou – para muito pior – e esse sistema, que funcionou razoavelmente bem durante alguns anos, foi se deteriorando. 

Eis o fulcro da questão: um sistema que funcionou para uma lógica de ocupação e uso do solo urbano não pode funcionar para uma ocupação e uso, na minha opinião, desordenado, como o de hoje.

O golpe final no sistema antigo foi a desativação do terminal central, na antiga rodoviária, e prova disso é a deterioração do Centro: o desarranjo das linhas elevou o preço das passagens e as pessoas “fugiram” ou ficaram na periferia.

Assim, não guardo muita expectativa quanto à essa intervenção.

Há que se planejar um novo sistema de transportes, juntamente com uma revisão urgente do Plano Diretor e de uma nova Lei de Ocupação e Uso do Solo Urbano.

Ônibus novos em sistema velho vão produzir os mesmos resultados: passagem cara e percursos longos.

Planejar é preciso.

(*) Arquiteto e urbanista

Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião de LUGARES

Leia Também

Relatos de viagem

Conte suas aventuras aqui!

Mais Relatos de Viagem

Megafone

Os artistas brasileiros são socialistas na voz, mas invariavelmente capitalistas no bolso

Roberto Campos (1917-2001), cuiabano, foi economista, político e diplomata

Vídeos

Conheça o verdadeiro caldo de piranha

Mais Vídeos