segunda, 02 de agosto de 2021

Como minimizar danos ambientais e morais

14 JUL 2021 - 10h02Por ARMANDO ARRUDA LACERDA

O Pantanal sempre despertou sentimentos antes arraigados no subconsciente, e que podem ser vislumbrados nos mapa mundi dos primeiros cartógrafos, que sempre intuíam no centro da América do Sul, com um lago ou mar que seria o Jardim do Éden de onde emanavam os míticos rios do Genesis, presentes nas culturas monoteístas dominantes.

Para muito além da coincidência de nomes de rios existentes, a mítica da descoberta do Novo Mundo trouxe novos significados idealizados para os nomes constantes no Livro de Gênesis, e novas coincidências à medida que europeus descobriam o Pantanal:

Phison - " o que flui com crescimento e onde se encontra o ouro;'

Geon - "o que flui com correnteza forte que desmancham margens;"

Tigre - "traduzido do hebraico como - o que flui rápido;"

Eufrates - " cuja tradução significa - que flui doce e fácil."

Lago Eupana ou Eldorado, Lagoa de Xaraiés, estas idéias atravessaram séculos e até hoje seguem sendo buscados os encontros entre o Racional e o Espiritual, como podemos comprovar no recente e pesquisado livro do Historiador Jorge Caldeira -"Brasil, Paraíso Restaurável" -, que tem como uma das coautoras a pantaneira Luana Schabib.

Os corredores de vegetação, com variados trabalhos científicos por Arnildo Pott e Geraldo Damasceno, que pesquisam o fogo como modelador das paisagens vegetais ao longo dos rios e o carater de área de transição do Pantanal, por estes "corredores fluviais" trazerem partes da fauna e flora de outros Biomas.

Entre Porto Murtinho e Corumbá os dados pretéritos apontam também a existência de um Corredor de Fogo ao longo do Rio Paraguai, que nestas secas de 2019 e 2020, chegaram a Cáceres e São Lourenço/Cuiabá a Poconé e Barão de Melgaço.

Como pantaneiro e consultando vários companheiros, fluviários e ribeirinhos resta a certeza entre todos os consultados que nos recentes incêndios todo o esforço foi direcionado para lugares difíceis e complexos, deixando-se incinerar as matas de galeria e ciliares dos rios do Pantanal, abandonadas e com a água tão perto, sua ausência acelerará o assoreamento definitivo!

Entendemos que Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, APAS, Estradas Parques e Rppns têm seu Plano Diretor e de Manejo, que, com certeza trazem, como participantes aprovados do Sistema SNUC de quem é a responsabilidade do combate a fogo e incêndio em suas respectivas áreas.

As matas ciliares do Rio Paraguai, dos outros rios e corixos do Pantanal, que foram incineradas são corredores e veias ecológicas entre biomas muito mais importantes ambientalmente que todas as reservas idealizadas ou implantadas nos últimos anos, reafirmamos o fato de que tem que haver uma mudança radical na política que as preteriu, causando pesados danos ambientais ao Pantanal e danos morais a todos os pantaneiros.

O Banco de Sementes está agindo nas beiras de rio, pantaneiros estão mobilizados e mobilizando equipamentos e funcionários nas áreas interiores, se os órgãos do Poder Público nos ouvirem, se tivermos uma mínima voz nas Salas de Situação, estaremos pelo menos no caminho de minorar os danos tão previsíveis para o período de maior seca em 2021.

Fogo não vira incêndio no Pantanal, se houver controle sobre os acúmulos de massa combustível vegetal e um combate minimamente estratégico e diferente dos métodos adotados até aqui.

(*) Pantaneiro do Porto São Pedro, Corumbá

 

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