A Vale (VALE3) informou nesta terça-feira (14) que descartou, após avaliação, o investimento no Sistema Centro-Oeste, um complexo de minas em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, vendido aos irmãos Joesley e Wesley Batista em 2022.
A informação foi divulgada pela mineradora após a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmar que a companhia cogitou a possível recompra, total ou parcial, do complexo de minas situadas no Morro do Urucum – uma das maiores reservas de minério de ferro do Brasil. A Vale não comentou a reportagem, mas confirmou que houve a avaliação e que descartou o negócio.
Em nota, a companhia afirmou que regularmente avalia oportunidades de investimento alinhadas às suas prioridades estratégicas, mas que, no caso, descartou qualquer operação envolvendo o local.
“Decisões de alocação de capital seguem processo de avaliação com aspectos técnicos, econômicos e financeiros e são tomadas de acordo com suas políticas e regras de governança”, afirmou a empresa.
As minas em questão haviam sido vendidas pela Vale para a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, em 2022. No entanto, o conjunto se tornou alvo de polêmica no conselho da mineradora após uma visita de alguns de seus principais integrantes.
Entenda o caso
Segundo publicação do jornal O Globo, em maio deste ano, alguns integrantes da Vale — como o então presidente do conselho, Daniel Stieler, o conselheiro Manoel Lino Oliveira (“Ollie”) e outros executivos — se reuniram com os irmãos Batista e fizeram uma visita às minas.
Depois do encontro, Ollie enviou um e-mail confidencial a alguns dos líderes presentes, elogiando o projeto sob a liderança dos irmãos Batista e sugerindo que fosse estudada uma joint venture entre a Vale e a J&F.
No entanto, os demais membros do conselho só tomaram conhecimento do encontro e da visita a Corumbá quase dois meses depois, quando o e-mail foi vazado por Stieler. Isso não só teria levantado dúvidas sobre a falta de transparência interna como também evidenciaria falhas de governança na companhia, segundo o conselheiro.
A controvérsia ocorre justamente em meio ao processo de escolha de um novo presidente do conselho de administração da Vale, em um ambiente de disputas internas e influência de grandes acionistas. A eleição está marcada para 22 de julho, durante assembleia de acionistas da companhia.
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