O crescimento da mineração em Corumbá não alterou apenas o volume de minério extraído. Segundo a prefeitura, a forma como as operações passaram a ser executadas também modificou a economia local. Somente no ano passado, o município deixou de arrecadar R$ 10 milhões em ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), com forte impacto na arrecadação.
A administração municipal afirma que a primarização de serviços pelas mineradoras, anteriormente realizados por fornecedores terceirizados, diminuiu a participação de empresas da cidade e outras regiões na cadeia produtiva e reduziu a circulação de recursos no comércio e na prestação de serviços.
A avaliação foi encaminhada em resposta oficial ao site. Conforme o município, atividades que antes eram contratadas de empresas locais passaram, gradativamente, a ser realizadas diretamente pelas mineradoras, afetando segmentos como alimentação industrial, manutenção mecânica, transporte, locação de imóveis, locação de equipamentos, limpeza e outros serviços especializados.
Na prática, segundo a prefeitura, isso significa menos contratos para empresas sediadas em Corumbá, menor arrecadação de impostos municipais e redução do efeito econômico que normalmente acompanha grandes empreendimentos.
Impactos: trafego intenso de 300 caminhões/dia com carga de minerio ao porto de Porto Esperança é questionado na JustiçaA administração explica que esse processo também influencia diretamente a arrecadação do ISS, imposto cobrado sobre a prestação de serviços. Com menos empresas locais executando essas atividades, a receita do município diminui, ainda que a produção mineral continue crescendo.
Embora a prefeitura não divulgue valores consolidados dessa perda, a administração confirma que o tema está sendo acompanhado por integrar o conjunto de fatores que explicam a redução do retorno financeiro da mineração para Corumbá, incluindo a sonegação de CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais).
Efeito vai além da arrecadação
Na avaliação do município, o impacto não se limita aos cofres públicos. Quando empresas locais deixam de prestar serviços para grandes empreendimentos, diminui também a contratação de trabalhadores, a compra de insumos, a movimentação do comércio e a circulação de renda na economia da cidade.
Esse efeito reduz a capacidade de geração de empregos indiretos e enfraquece diversos setores que tradicionalmente atendiam à atividade mineral.
Enquanto isso, a produção segue em expansão. A LHG Mining mantém planos para ampliar sua capacidade anual de produção de 12 milhões para 16 milhões de toneladas, com projetos futuros que podem elevar esse volume para até 25 milhões de toneladas, a partir de 2029.
Poeira do minério transportado por rodovia afeta saúde dos moradores de Porto Esperança, conforme ação cívelPara a prefeitura, porém, o crescimento da atividade precisa ser acompanhado por um fortalecimento da economia local, de forma que os benefícios sejam distribuídos de maneira mais ampla entre empresas, trabalhadores e o próprio município.
Debate ganha força diante dos impactos
A discussão ocorre em meio a uma série de reportagens divulgadas pela mídia local que mostram os reflexos da mineração em Corumbá e no distrito de Porto Esperança. Nos últimos meses, moradores relataram aumento do fluxo de carretas, acidentes frequentes, poeira constante sobre residências e estradas, desgaste da infraestrutura viária e impactos ambientais provocados pela intensa movimentação de minério.
Para a administração municipal, esse cenário reforça a necessidade de que a expansão da mineração seja acompanhada por mecanismos capazes de ampliar o retorno econômico para a cidade, especialmente diante da pressão crescente sobre os serviços públicos e a infraestrutura urbana.
Questionada pelo Folha MS, a LHG Mining não respondeu ao questionamento sobre a primarização de serviços implementados pela empresa, mas informou que mantém atualmente cerca de 2.400 colaboradores atuando diretamente em Corumbá e afirma desenvolver ações voltadas ao desenvolvimento da comunidade.
A íntegra da nota enviada pela empresa
“A Lhg Mining nasceu com o compromisso de impulsionar o setor, gerar empregos e oferecer uma solução integrada para uma cadeia de produção mais sustentável. Atualmente, a companhia possui capacidade de produção de 12 milhões de toneladas por ano e conta com 2.400 colaboradores atuando diretamente em suas operações na cidade de Corumbá (MS), para garantir processos eficientes, seguros e alinhados aos mais altos padrões de sustentabilidade e qualidade.
Empregos: mineradora LHG Mining informa que gerou atualmente 2.400 postos de trabalho em Corumbá e LadárioComo parte do seu compromisso com a comunidade, a Lhg Mining apoiou a execução de obras voltadas à melhoria da infraestrutura e da qualidade de vida em Porto Esperança, entregues à população em 10 de junho. Desenvolvidas em parceria com a comunidade e o poder público, as iniciativas incluíram a implantação de um playground, uma academia ao ar livre e um espaço de convivência, além de contribuições para a substituição das tubulações de água que atendem os moradores e para a reforma de uma ponte local.
A Lhg Mining também adota medidas permanentes para o controle da poeira, incluindo a umectação de vias, o monitoramento ambiental e controles operacionais, em conformidade com a legislação vigente.
A companhia mantém diálogo aberto com a comunidade e atenção permanente às demandas locais relacionadas à sua atuação, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da população.”
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