sexta, 21 de junho de 2024
ÁREAS PROTEGIDAS

Maior biodiversidade do planeta precisa ser conservada

26 MAI 2021 - 09h45Por REDAÇÃO

Uma em cada dez espécies conhecidas no mundo está na Floresta Amazônica, segundo a organização WWF (World Wildlife Fund). O bioma que tem o maior número de espécies de plantas e animais vivos no mundo, compreende 40% de toda a América do Sul e 60% desse território fica localizado no Brasil. Mas a importância fundamental de toda essa biodiversidade da floresta, torna a Amazônia um tema de interesse global.

É importante lembrar, entretanto, que "floresta vazia não para em pé". Ou seja, é necessária a interação entre diferentes espécies para que haja um sistema ecológico eficiente - e é isso que ocorre na Amazônia. "É a diversidade que a torna ainda mais importante e possibilita os serviços ecossistêmicos e a tão comentada bioeconomia", diz Fabiana Prado, bióloga responsável pelo Projeto LIRA (Legado Integrado da Região Amazônica), do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas.

A criação das áreas protegidas - as unidades de conservação e as terras indígenas -, é uma estratégia significativa para garantir o futuro da Amazônia - e por consequência, da biodiversidade. E a intenção do Projeto LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica - é transformar essas áreas em um polo de desenvolvimento regional e territorial, por meio de seus ativos naturais e sabedoria ancestral dos povos da floresta, possibilitando uma renda eficiente para a população local e o fortalecimento desses povos.

Territórios indígenas

Apesar de sofrem cada vez mais pressão, as áreas protegidas ainda mantêm níveis bem mais baixos de desmatamento se comparadas com as outras áreas. "O tema tem sido motivo de debates pelo mundo e líderes políticos de todas as nações estão atentos aos caminhos que serão seguidos para alcançar uma estratégia de conservação que possibilite alavancar uma economia sustentável respeitando a floresta, os agricultores locais, comunidades tradicionais e investindo nos negócios sócio-produtivos", afirma Fabiana Prado.

Segundo publicação deste ano da FAO , órgão das Nações Unidas, os territórios indígenas brasileiros são fundamentais para a proteção da biodiversidade e possuem mais espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios do que todas as áreas protegidas do país fora desses territórios.

No entanto, é preciso gerir, monitorar e avaliar esses espaços de forma eficiente, o que significa cumprir os objetivos de criação das áreas protegidas, manter a biodiversidade, as culturas e das comunidades locais e tradicionais além de contribuir com serviços ecossistêmicos para minimizar os efeitos das mudanças climáticas. Por isso que o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, implementa ações colaborativas multisetoriais (empresas, sociedade civil, governos e movimentos sociais) por meio Projeto LIRA", diz Fabiana Prado.

Exemplo de boas práticas

 

Fabiana lembra ainda que a floresta não precisa ficar intocada para que haja conservação, mas para a exploração dos recursos naturais é preciso pensar em procedimentos que protejam o meio ambiente e mantenham práticas sustentáveis. "Isso não é diferente para retirada de madeira legal da Amazônia. Os escandalosos números que mostram que mais de 50% da madeira extraída da Amazônia tem origem ilegal e pelo menos 70% desse produto vai para o mercado nacional, não precisam se manter assim", diz ela. Segundo Fabiana, o primeiro passo é seguir os chamados planos de manejos florestais, como acontece na FLONA Jamari.

A Floresta Nacional (FLONA) do Jamari fica em Rondônia e dos seus 220 mil hectares, 96 mil foram concedidos legalmente à exploração manejada de madeira. Por meio de um edital, as empresas Amata e Madeflona receberam a concessão dessa exploração madeireira, de forma sustentável.

Mas, mesmo que a exploração madeireira seja feita de forma adequada e controlada, é necessário compreender os impactos dessa atividade para a vida da fauna nessa Unidade de Conservação. Para isso, o IPÊ desenvolve junto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a comunidade e os parceiros locais, o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB).

No caso da FLONA Jamari, uma das estratégias para monitoramento é o uso de câmeras fotográficas para observar a fauna (big brother da biodiversidade). A partir das imagens geradas pelas câmeras é possível saber quais espécies estão ocupando aquele espaço e se essa composição (grupos de mamíferos e aves) é ou não satisfatório para aquele ecossistema. As empresas exploram lotes de madeira por um tempo e depois para outros. As câmeras são colocadas nesses espações já explorados para monitorar a composição de espécies chaves da fauna.

Segundo Cristina Tófoli, coordenadora do MPB, os resultados são excelentes. "De maneira geral, o monitoramento mostra que a exploração planejada e monitorada tem condições de ser mantida assegurando a manutenção das espécies e seus papéis dentro do ecossistema. Isso garante a manutenção da floresta pensando em longo prazo".

Os resultados são mais negativos quanto maior a intensidade de exploração, segundo Tófoli, neste caso, diminui proporcionalmente o tempo de recuperação. O trabalho ainda promove a troca de conhecimentos entre técnicos e comunidades e o desenvolvimento de atividades de formação e capacitação de monitores da floresta. São cursos e workshops sobre aplicação dos protocolos de monitoramento.

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