O prefeito corumbaense Gabriel Alves de Oliveira tomou uma posição firme de contrapor aos impactos ambientais, sociais e de saúde pública que estão sendo praticados pela mineradora LHG, do Grupo J&F, nos distritos de Maria Coelho e Porto Esperança. As irregularidades denunciadas há mais de um ano, que resultaram em dezenas de ações na Justiça, estão colocando em risco os moradores, o Pantanal, o Rio Paraguai e a segurança nas estradas.
“Toda atividade econômica deve assumir suas responsabilidades, a defesa de Corumbá passa pela defesa da nossa gente, dos nossos rios e do nosso Pantanal”, reagiu o prefeito.
Em postagens nas redes sociais, ele mostra, em imagens presenciais, os incidentes ocorridos nos dois povoados, na semana passada, com a contaminação da água potável com lama oriunda da lavra de minério e o afundamento de uma barcaça no Porto Gregório Curvo.
Gabriel disse que a prefeitura cobrará providências aos órgãos competentes e quer esclarecimentos em relação aos fatos ocorridos. “Não podemos aceitar que episódios como esses sejam tratados como normais. Nossa população merece mais respeito, nosso meio ambiente precisa e deve ser preservado”, escreveu em sua página no Facebook.
“São ocorrências preocupantes envolvendo as operações de mineração”, completou.
O prefeito acompanhou pessoalmente a situação de calamidade no distrito de Maria Coelho, onde a comunidade foi surpreendida pela enxurrada de lama avermelhada e a água barrenta e com visíveis partículas em suspensão saindo das torneiras, depois de chuvas que caíram na região.
A prefeitura socorreu os moradores com atendimento emergencial, com a colaboração também da LHG, que prometeu regularizar o fornecimento de água potável à comunidade.
Situação precisa ser discutida
Mas o que deixou Gabriel mais preocupado foi o intenso tráfego de carretas - mais de 300 diariamente – entre as minas e o porto, que fica em Porto Esperança. Ele vivenciou o barulho dos bitrens e a poluição sonora, que atormenta os moradores, e os impactos absorvidos pelas crianças que estudam na escola municipal, situada ao lado da estrada de lama e pó de minério. “É uma situação que precisa ser discutida, nossas crianças merecem mais dignidade”, protestou.
Gabriel conversou com moradores e professores da escola, acompanhou in loco a movimentação incessante do comboio de carretas e ficou estarrecido com o que viu. Nas intervenções que fez nas redes sociais chamou a atenção para o problema, que considera grave.
“Nossas crianças merecem mais respeito, devem ter segurança e condições dignas para aprender. É preocupante o que assistimos, o fluxo é veículos é intenso”, alertou.
O chefe do Executivo observou que o desenvolvimento econômico é importante, porém foi enfático: “não pode acontecer às custas da qualidade de vida da nossa população. Educação, segurança e qualidade de vida não são negociáveis”.
E prosseguiu: “a mineração tem sua importância para Corumbá, contudo, a exploração econômica deve acompanhar junto com a segurança das pessoas e preservação do Pantanal. As comunidades precisam ser ouvidas”.
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