Demorou, mas finalmente o Ibama ((Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) e o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) se pronunciaram a respeito dos incidentes causados pela mineração nos distritos de Porto Esperança e Maria Coelho, em Corumbá, onde a LHG Mining será investigada por possíveis impactos ao meio ambiente.
Os órgãos federal e estadual anunciaram que estão investigando o afundamento da barcaça com minério de ferro, no Porto Gregório Curvo, em Porto Esperança, procedimento também iniciado pela Marinha. As causas e impactos da contaminação de um córrego com lama procedente de lavra de minério, deixando a comunidade de Maria Coelho sem água potável, estão sob análise do município.
Agora, além das ações de moradores que tramitam na Justiça alegando impactos nas comunidades devido ao intenso tráfego de carregas, entre as minas e o porto, a LHG está no centro de novas denúncias de total descaso com as populações e o meio ambiente, embora operando em uma região sensível de Pantanal. O objetivo da empresa é cumprir metas de produção a todo custo.
Monitoramento
O prefeito de Corumbá, Gabriel Alves de Oliveira, declarou ao site Campo Grande News que o município avalia punir a LHG com multa por possíveis danos às comunidades afetadas. “Técnicos da Fundação de Meio Ambiente vão produzir um laudo sobre os impactos e, se houver essa comprovação, vamos tomar as providências necessárias”, disse ele.
O Imasul, que tem sido cobrado por omissão, inclusive nas ações judiciais, informou que também equipe técnica acompanha a situação no Rio Paraguai, com monitoramento e análises da qualidade da água. O instituto adiantou que foi comunicado pela mineradora do incidente com a barcaça e, desde então, alinhou as providências necessárias, cujos desdobramentos estão sendo acompanhados”.
O monitoramento, segundo nota, inclui coletas de amostras e medições de parâmetros físicos e organolépticos da água, além de análises laboratoriais mais complexas, incluindo a avaliação de metais. “As ações abrangem pontos de monitoramento nas proximidades do local do naufrágio, a montante e a jusante, além de um ponto de controle, permitindo uma avaliação técnica comparativa das condições da água”, descreveu.
Laudo técnico
O Ibama, também em nota, informou que enviou técnicos para o local, adiantando “possível dispersão de partículas minerais na água e deposição de minério no leito do rio”, processos que podem provocar “aumento da turbidez, alterações na qualidade da água e impactos sobre organismos aquáticos, especialmente peixes, ovos, larvas e espécies que habitam o fundo do rio”.
A diretora-presidente da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá, Cristina Fleming explicou que uma equipe esteve em Maria Coelho após as denúncias de contaminação da água. Foi realizada vistoria no dia da ocorrência e posteriormente e até o final desta semana será finalizado um laudo de constatação. “Ainda estamos acompanhando as análises da água que abastece a comunidade”, disse.
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