sábado, 24 de outubro de 2026
ROYALTIES

Paulo Duarte denuncia sonegação das mineradoras

16 ABR 2025 - 16h10 Por CAMPO GRANDE NEWS

Mesmo com o crescimento nas exportações de minério de ferro e manganês oriundos de Corumbá e Ladário, municípios localizados na região pantaneira de Mato Grosso do Sul, houve queda no repasse da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) — tributo federal pago por empresas mineradoras. 

A situação foi denunciada pelo deputado estadual corumbaense Paulo Duarte (PSB), que protocolou um requerimento na Assembleia Legislativa solicitando explicações da ANM (Agência Nacional de Mineração).

No documento, o parlamentar requer informações detalhadas sobre os volumes exportados por cada município no primeiro trimestre de 2024 e de 2025, bem como os respectivos valores repassados da CFEM no mesmo período. Duarte questiona especificamente a razão pela qual, apesar de uma elevação na movimentação de minério, houve diminuição nos recursos recebidos pelas prefeituras.

Exploração predatória

Segundo ele, trata-se de um cenário de “sonegação descarada” dos royalties devidos às cidades afetadas diretamente pela atividade extrativista. 

Paulo Duarte: "sonegação descarada"

“Sou um defensor do desenvolvimento que gera emprego e renda, mas com responsabilidade e sustentabilidade. O que está acontecendo na região de Corumbá e Ladário é um verdadeiro absurdo”, afirmou o deputado. 

“Enquanto deixam para trás um enorme passivo ambiental, não pagam nem o mínimo que deveriam. Isso não é desenvolvimento, é exploração predatória”, disparou.

Duarte destacou ainda que a CFEM é a única forma de retorno direto que os municípios têm pela exploração mineral. Os valores arrecadados devem ser utilizados para compensar os impactos socioambientais da atividade e promover melhorias nas condições de vida das comunidades afetadas. 

A distribuição dos recursos é feita mensalmente, com base nos dados declarados pelas próprias mineradoras, sendo a ANM responsável pelos cálculos e pela liberação dos repasses.

Maior controle da produção

A preocupação com a fiscalização também foi destacada na justificativa do requerimento. O prefeito de Corumbá, Gabriel Alves de Oliveira (PSB), que assumiu em janeiro de 2025, propôs um convênio entre o município e a ANM para monitorar mais de perto tanto a produção mineral quanto os repasses financeiros. 

Atualmente, segundo o documento, não há mecanismos eficazes de controle local sobre o volume real de minério extraído.

O ofício foi encaminhado ao gerente regional da ANM em Mato Grosso do Sul, Luiz Cláudio Sousa, e aguarda resposta oficial.

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