domingo, 25 de outubro de 2026
SECA EXTREMA

Pantanal tem a maior perda de superfície de água

22 MAR 2025 - 09h56 Por REDAÇÃO

O ano de 2024 manteve a tendência de redução da superfície de água já registrada em 2023 e em anos anteriores. Os 17,9 milhões de hectares do território brasileiro cobertos por água em 2024 são 2% menores que os 18,3 milhões computados em 2023 e ficam 4% abaixo da média da série histórica do MapBiomas, iniciada em 1985. A tendência de queda pode ser observada desde 2009. De lá até 2024, apenas um ano – 2022 – registrou aumento da superfície de água. Oito dos 10 anos mais secos de toda a série ocorreram na última década.

Em 2024, o Pantanal era o bioma com menor superfície de água no país: 366 mil hectares, ou 2% do total. É também o que mais perdeu superfície de água em relação à média histórica: 61%. Em 2024, o Pantanal ficou abaixo da média histórica durante todos os 12 meses. “Desde a última cheia em 2018, o bioma tem enfrentado o aumento de períodos de seca e, em 2024, a seca extrema aumentou a incidência e propagação de incêndios”, ressalta Eduardo Rosa, da equipe do MapBiomas Água.

Os dois estados que mais perderam superfície de água em 2024 são do Pantanal. O ranking é liderado pelo Mato Grosso, que perdeu 291 mil hectares de superfície de água – uma queda de 34% - seguido pelo Mato Grosso do Sul, ambos com redução de 275 mil hectares. Como esses estados têm tamanhos bem diferentes, esse número representou uma retração de 33%, no caso do Mato Grosso do Sul.

“A construção de grandes reservatórios para geração de energia e a expansão da agricultura irrigada foram os principais motores de transformação na superfície de água no Cerrado. Regiões como a bacia do Alto Paraguai, onde estão as nascentes do Pantanal, foram criticamente afetadas, assim como o oeste da Bahia, onde se observou redução generalizada na superfície de água”, pontua Joaquim Pereira, pesquisador do IPAM e pesquisador do MapBiomas Água.


Ranking: Corumbá perdeu 260 mil hectares

Amazônia, Pampa e Pantanal têm predomínio de superfície de água natural, com 10 milhões de hectares, 1,5 milhão de hectares e 364 mil hectares, respectivamente. É nesses biomas que estão algumas das bacias hidrográficas que mais perderam superfície de água em relação à média histórica, como Paraguai (perda de 571 mil hectares - 43%) e Amazônica (perda de 405 mil hectares - 5%). Um quarto (25%) das bacias hidrográficas brasileiras estiveram abaixo da média histórica em 2024.

Quase metade (45%, ou 2.507) dos municípios brasileiros estiveram com superfície de água em 2024 abaixo da média histórica em 2024. Esse ranking é liderado por Corumbá, em Mato Grosso do Sul, que perdeu quase 260 mil hectares de superfície de água, o equivalente a 95% da perda registrada em todo o Estado. 

Em segundo lugar está Cáceres, no Mato Grosso, com menos 167 mil hectares (57% do total perdido nesse Estado), seguida por Barcelos, no Amazonas, com menos 102 mil hectares (37% do total do estado). Corumbá foi também o município que mais perdeu superfície de água em 2024 em relação à média da série histórica: menos 54%.

A maior perda de superfície de água se deu em corpos naturais, como rios e lagos. Embora ainda respondam por mais de três em cada quatro hectares cobertos por água no Brasil (77%), eles perderam 15%, ou 2,4 milhões de hectares a menos de superfície de água natural, na comparação com 1985. Em 2023, já havia sido identificada uma queda de 12,5% ou 2 milhões de hectares em relação a 1985. 

“Diversos fatores, como clima, assoreamento etc. levam a este cenário. Mas a drenagem desses corpos para reservatórios, açudes e outras estruturas também contribui para a redução da água natural”, explica Schirmbeck.


Reservatórios não revertem tendência de queda

O aumento da superfície de água no Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, segundo o coordenador do MapBiomas Água, derivam do crescimento da água armazenada em hidrelétricas e outros tipos de reservatórios. No caso dos biomas com maior prevalência de água natural, como a Amazônia e Pantanal, houve redução hídrica.

“A dinâmica de ocupação e uso da terra no Brasil, junto com eventos climáticos extremos, causada pelo aquecimento global, está deixando o Brasil mais seco”, explica o coordenador técnico do MapBiomas Água. “Esses dados servem como um alerta sobre a necessidade de estratégias adaptativas de gestão hídrica e políticas públicas que revertam essa tendência”, completa.
 
Embora detenha 12% da água potável do planeta, o Brasil tem uma distribuição desigual: mais da metade da superfície de água do país (61%) está na Amazônia, onde vivem 4,2 milhões de brasileiros. Já a Caatinga, que abriga 32 milhões de habitantes, tem menos de 1 milhão de hectares de superfície de água (981 mil, ou 5% do total). Com 2,2 milhões de hectares, a Mata Atlântica tem 13% da superfície de água no Brasil, seguida pelo Pampa (1,8 milhão de hectares, ou 10% do total) e Cerrado (1,6 milhão de hectares, ou 9% do total).

No Cerrado, foi possível observar uma inversão entre superfície de corpos de água naturais (rios, lagos e lagoas) e artificiais (reservatórios e represas). Em 1985, 63% da superfície de água do bioma era natural; em 2024, eram 40%. A água armazenada em hidrelétricas, reservatórios, áreas de mineração etc., que os pesquisadores chamam de superfície de água antrópica, passou de 37% em 1985 para 60% em 2024. Ao todo, a superfície de água no Cerrado em 2024 somou 1630 mil hectares.

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