O Forte Coimbra, um dos símbolos históricos na defesa do território nacional e sul-mato-grossense, construído em 1775 na margem direita do Rio Paraguai, em Corumbá, vai passar por uma restauração completa, com direito a concorrer ao título de Patrimônio Mundial pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Para garantir a restauração do patrimônio histórico nacional, marco da engenharia militar brasileira e palco de dois confrontos bélicos com os espanhóis e paraguaios, os recursos serão captados por meio da lei de incentivos e com investimentos previstos de R$ 19,8 milhões.
O acordo de cooperação, visando a revitalização deste ícone da memória militar e cultural do Brasil, foi assinado nesta sexta-feira, 14, entre o CMO (Comando Militar do Oeste) e a APPA – Cultura & Patrimônio (Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes).
O ato contou com a participação do governador Eduardo Riedel. O acordo entre as partes foi assinado pelo comandante do CMO, general Luiz Fernando Estorrilho Baganha, e pelo presidente da APPA, Felipe Vieira Xavier.
Na solenidade, o governador Riedel destacou o valor histórico deste patrimônio, palco para a consolidação do território nacional e sul-mato-grossense.
“Um equipamento isolado, à margem do Rio Paraguai, que, olhando do ponto de vista contemporâneo, além de todo valor histórico, ele traz um potencial turístico com um significado ambiental, além de histórico porque está no coração do Pantanal. É um equipamento que extrapola a fronteira de Mato Grosso do Sul”, realçou.
No arto, Eduardo Riedel destacou o investimento do Estado na construção de uma estrada de acesso ao forte. Foto: Bruno RezendeAcesso em construção
O chefe do Executivo estadual ainda lembrou que o governo está promovendo a ligação viária entre Corumbá e o Forte Coimbra, facilitando o turismo cultural e a educação patrimonial, além de tirar uma porção do Pantanal do isolamento.
“É uma obra de R$ 40 milhões, o dobro da recuperação do equipamento para chegar via terrestre ao Forte Coimbra. Uma estrada absolutamente transitável o ano inteiro, elevada no Pantanal, sem nenhuma agressão ambiental, mas que vai dar condição também de visitação. A nossa infraestrutura serve para proporcionar essa capacidade de valorização e de fomento turístico”, acrescentou.
O comandante Militar do Oeste, general Luiz Fernando Estorrilho Baganha, ressaltou que o Forte Coimbra completará este ano 250 anos de fundação e a data está sendo marcada com este convênio de revitalização. “É uma atividade que transcende ao Exército, um sentimento de brasilidade”, declarou.
O presidente da APPA, Felipe Vieira Xavier, pontuou que o Exército é uma das instituições que mais preserva o patrimônio histórico e artístico nacional.
“O Exército tem um volume imenso de patrimônios, de bens e da nossa história. A APPA é uma instituição com 32 anos de experiência em projetos culturais, incluindo a restauração de patrimônios históricos. Entre os projetos já conduzidos pela APPA destacam-se a Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá, e o Real Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, ambos também candidatos ao título de Patrimônio Mundial pela Unesco”, afirmou.
Na restauração do Forte Coimbra, estão previstas algumas intervenções na parte estrutural como telhamento, hidráulica e elétrica e de acessibilidade, e ainda salas que contam a sua história, do Mato Grosso do Sul, do Exército Brasileiro, além da história das pessoas que estão na fronteira.

O Forte Coimbra
Sua construção foi concluída em 13 de setembro de 1775, e teve um papel estratégico na defesa do país. A museóloga e primeira tenente Kauanna Lourdes, da Assessoria Cultural do CMO, detalha todo o valor histórico do Forte Coimbra.
"É uma construção bicentenária, uma obra do coronel engenheiro Ricardo Franco de Almeida, que projetou a edificação naquela região do Rio Paraguai exatamente para ter um maior domínio sobre a navegação", descreve.
A militar conta que o forte presenciou algumas batalhas, a principal é o início da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), quando o primeiro ato do conflito entre Brasil e Paraguai é a invasão do forte pelas tropas inimigas.
O Forte Coimbra está aberto à visitação. O acesso ainda é restrito ao transporte fluvial e aéreo. No local, além do hotel de trânsito do Exército, com 12 leitos, o visitante poderá se hospedar em pousadas simples na comunidade civil.
Para mais informações e agendamentos, os interessados podem fazer contato pelo email [email protected].
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