domingo, 25 de outubro de 2026
DESFILE

Gilda assume porta-bandeira para honrar pavilhão da escola

05 MAR 2025 - 15h58 Por Silvio de Andrade

A Acadêmicos do Pantanal, penúltima escola de samba a desfilar no carnaval de Corumbá, na noite de ontem (4), entrava na avenida para defender o enredo “Lá onde a terra se funde com a água, os rios renovam a vida a cada nascer de um novo dia”, quando ocorreu um incidente: a porta-bandeira Lorrayne Aparecida, estreante na função, fraturou o pé durante sua evolução.

O público reagiu aplaudindo a jovem dançarina, que caiu na pista sentindo fortes dores e foi socorrida pelos colegas e diretores da escola. Foi nesse momento de tensão e sem saber o que ocorreu que o impulso pelo amor ao samba, sobretudo pela sua agremiação, levou a carnavalesca Gilda Rosa a assumir o posto de Lorrayne e levar a bandeira até o final do desfile.

Gilda Rosa sendo preparada pelos diretores da escola: deslizou com a bandeira descalça, por mais de 200 metros

Enquanto Lorrayne era atendida por socorristas contratados pela prefeitura e encaminhada ao pronto-socorro, Gilda, que é diretora e esposa do presidente da escola, Fernando Willian, empunhou a bandeira, ao lado do mestre-sala José Alencar, e desfilou descalça até a dispersão, na rua Major Gama. O público a incentivou com aplausos durante todo o percurso, de 200m.

Medo e alivio 

“Eu tinha que honrar o pavilhão da nossa escola”, disse ela, no encerramento do desfile, enquanto tentava organizar o tumultuado desmembramento da escola. “Quando a Lorrayne se machucou, entrei em pânico, foi então que decidi assumi seu lugar. Tentei calçar a sandália, mas poderia também me acidentar com o salto alto. Então, desfilei descalça mesmo.”

Espaço democrático: no intervalo dos desfiles, morador de rua com seu pet segue o espetáculo na passarela do samba

Na escola de samba, a porta-bandeira tem a atribuição de empunhar a bandeira, o principal elemento de uma agremiação, enquanto a tarefa do mestre-sala é cortejar e proteger o pavilhão. Gilda foi destaque da Acadêmico do Pantanal em outros carnavais, nunca imaginava ser porta-bandeira, mesmo nessas circunstâncias, por alguns minutos. 

“É muita responsabilidade, fiquei muito nervosa, mas estou feliz”, contou. “Era o primeiro carnaval da Lorrayne, ela entrou, digamos, na prorrogação, quando o casal de mestre-sala e porta-bandeira decidiu sair da escola. Ela é uma jovem esforçada e, com certeza, será um grande destaque da escola como porta-bandeira.”

Prefeito Gabriel de Oliveira entrou no clima descontraído do Bloco dos Palhaços, que animou o público na avenida

Um final feliz

O desfile das escolas de samba sem julgamento dos oito quesitos previstos no regulamento – decisão da Liesco, a liga que compõe as agremiações, e da prefeitura, após os estragos causados pela chuva de domingo em algumas alegorias -, possibilitou o gesto de Gilda Rosa. Foi um desfile, na segunda-feira e ontem, despretensioso, porém “disputado” na passarela.

Seis escolas desfilaram no primeiro dia, que, normalmente, seria o último, enquanto quatro - Vila Mamona, Marquês de Sapucaí, Acadêmicos do Pantanal e Caprichosos de Corumbá, pela ordem – cumpriram o regulamento na despedida do carnaval de 2025. A terça-feira é reservada ao carnaval cultural, adiado para o dia 8, e o público lotou o circuito do samba.

Final de festa: rei momo Kleber Akosta abraça a velha guarda da Unidos da Vila Mamona durante desfile da escola

Para o presidente da liga, Victor Raphael, apesar dos imprevistos, a terça-feira atípica foi mais um momento de superação do carnaval de rua de Corumbá. “As escolas fizeram um grande desfile, fica a frustração de não sair um campeão, no entanto, o importante é que fizemos a entrega dos investimentos públicos e cumprimos com o nosso público, que é muito exigente”, avaliou.

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