domingo, 25 de outubro de 2026
CORUMBÁ

SEM DISPUTA, ESCOLAS DE SAMBA TRADUZEM O SENTIMENTO E O AMOR DO POVO

04 MAR 2025 - 14h43 Por SILVIO DE ANDRADE/Campo Grande News

Eram mais de 3h da madrugada desta terça-feira, a última escola de samba a desfilar, a Unidos da Major Gama, fazia sua dispersão, e o público que lotou o circuito do samba permanecia nas arquibancadas, pelos espaços da Praça Generoso Ponce e circulando pelas calçadas.

Havia um clima de êxtase, depois da passagem de seis escolas, e as pessoas resistiam em voltar para suas casas, o que geralmente é feito a pé, lotando o setor gastronômico e a praça dos shows.

“Quem faz o carnaval é nossa população”, resumia o prefeito corumbaense Gabriel Oliveira. Com a pista sem os carnavalescos, as crianças dominam o espaço, na madrugada, com brincadeiras e muita alegria, apesar do horário. 

Jessica, 8 anos, ensaiava passos de samba no pé; logo adiante, Gabrielzinho, 9 anos, tirava os primeiros sons de um tamborim, instrumento que se destaca na bateria. O povo queria mais, depois de 6h de muito samba.

Gingado de Carol Castelo, rainha de bateria da Nova Corumbá, arrancou aplausos do público na avenida

Com os imprevistos no domingo (a chuva e o vento danificaram alegorias e o desfile foi cancelado), as escolas de samba fizeram apenas uma apresentação, não valendo disputa pelo título. 

A decisão polêmica gerou protestos do carnavalesco Robson Lacerda (Xuxa), presidente da Império do Morro, campeã de 2024. “Rasgaram o regulamento, jogaram dinheiro fora, isso enfraquece o nosso carnaval. Nos preparamos o ano inteiro para sermos bicampeões”, disse.

Crianças na pista

Foi anunciado durante o primeiro dia do desfile que um júri popular, lançado por uma rádio local, escolheria a melhor escola com a votação online do público. Contudo, a ideia lançada no sistema de som da avenida não empolgou. 

O público estava compenetrado na passarela, onde as seis escolas de samba fizeram um grande espetáculo. Muito brilho, fantasias ricas em detalhes e cores, alegorias bem elaboradas e criativas e, claro, muito samba no pé.

Passista da Pesada aproveitou a ausência dos jurados para esquecer o samba e se conectar em pleno desfile

A coincidência de temas no enredo voltados à cultura nordestina, nas homenagens prestadas pelas agremiações, foi um dos pontos negativos com repetição de figurinos, como os cangaceiros. 

Mas houve também inovação: a Império do Morro acrescentou a sanfona na bateria, com o acordeonista levantando o público ao puxar o fole ao lado da rainha Raiane oliveira. Destaque também para a presença de crianças nas baterias e como passistas.

Grandes escolas

Abrindo o desfile em uma noite quente, sem ameaça de chuva, a escola Imperatriz Corumbaense saiu na avenida com quatro alegorias, 16 alas e 600 componentes e o enredo “Trazidos do Reino Iorubá, de Esu a Oxalá, em terras brasileiras Imperatriz apresenta o Xirê dos 16 Orixás nossa Motumbá”. 

Escola pequena, não empolgou como a Estação Primeira do Pantanal, que fez uma viagem aos antigos carnavais com 800 componentes em 16 alas.

Major Gama encerrou o desfile com destaques para alegorias e o show da bateria no seu recuo

Na sequência, o momento esperado: o embate entre as grandes escolas. A Império do Morro entrou triunfante e aguerrida, não se deixando – como as demais escolas – abalar com o fato de não haver disputa. 

Com 750 componentes, apresentou o enredo “De Maria e Romão, da fé e da emoção Nordeste de tanta gente, o Eldorado do Sertão” e foi ovacionada, com destaques para os carros alegóricos. Desfilou como favorita ao bicampeonato, adiado para 2026. 

Folia no porto

Forte concorrente, a Mocidade da Nova Corumbá também veio compacta, com 800 integrantes e 22 alas, rompendo a avenida com um samba fácil de cantar e inconfundível na voz do interprete carioca Braguinha, um show à parte. 

Espaço democrático: crianças brincam nos intervalos do desfile, sib os olhares dos pais e da segurança

Encerrando o desfile, passou a Unidos da Major Gama (850 componentes, 20 alas, quatro alegorias), que evolui de ano para ano e seria forte candidata ao título. A escola homenageou o ativista cultural Joilson Cruz.

Nesta terça-feira, sem o tradicional carnaval cultural, transferido para o dia 8 de março, na Praça jardim da Independência, desfilam, a partir das 19h, as últimas escolas: Vila Mamona, Marquês de Sapucaí, Acadêmicos do Pantanal e Caprichosos de Corumbá.

Haverá, também, a última edição do Casarão Folia, no porto geral, com muito samba e pagode, que tem atraído um novo turista a Corumbá: os bolivianos do outro lado da fronteira, aos centenas, lotando hotéis e restaurantes. Às 16h.

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