Era noite de clássico carioca, em campo Flamengo e Vasco, clubes com maior torcida em Corumbá. Mas falou mais alto outra paixão influenciada pelo Rio de Janeiro, o samba, e os corumbaenses lotaram no sábado (15) a orla portuária para assistirem a apresentação dos sambas-enredos das dez escolas de samba que vão desfilar nos dias 2 e 3 de março, na Avenida General Rondon.
Foi uma maratona de 4h30 de muito samba, com shows a parte das baterias, rainhas, porta-bandeiras e mestres-salas e passistas, algumas mirins, deixando o público extasiado. O que esperar das escolas nos desfiles? Os temas escolhidos neste ano mostram a diversidade de enredos na passarela do samba – de homenagens ao protagonismo, passando por heranças religiosas, meio ambiente e os mistérios do número 13.
Jovem ritmista embala o chocalho cantando o samba-enredo de sua escola“O Mengo faz o primeiro gol”, anunciou o locutor oficial. A empolgação do público não superou a vibração das torcidas das escolas de samba e dos turistas com o ritmo forte da percussão e o gingado e o sapateado das mulatas e loiras. A plateia, formada principalmente por famílias, se acomodou em volta do palco circular no passeio da orla. Muitas crianças no sobe e desce das arquibancadas e no palco, ritmando chocalhos, reco-recos e tamborins.
Envolver o povo
A proposta do Festival de Samba-Enredo, organizado pela prefeitura e a Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá), alcançou seu objetivo: reunir as comunidades das escolas e apresentar as músicas à população, além de servir como termômetro para dimensionar o que as escolas vão levar para a avenida.
Rainha da bateria da Império do Morro levou vibração e muito gingado na beira do “Foi um esquenta diferente, onde buscamos aproximar as pessoas e as famílias das escolas, uma oportunidade para a população conhecer e cantar os sambas”, disse Wanessa Rodrigues, presidente da Fundação de Cultura.
Foi um grande acontecimento a duas semanas dos desfiles, emocionando um dos mais antigos carnavalescos da cidade, o decano Ney Colombo, 81, presidente da A Pesada. “Isso aqui, trazer as comunidades e envolver a população, era para ter acontecido já há muito tempo”, comentou. “Me surpreendi com tanta gente em dia de Flamengo e Vasco, uma coisa fantástica”, disse outro veterano, mestre Antero Sena, 79, da Vila Mamona.
Sentir o carnaval
Passistas mirins foram um dos destaques na apresentação das escolas de sambaA apresentação das escolas de samba foi por ordem de sorteio, na democracia. A primeira a se apresentar foi a campeoníssima Vila Mamona, última colocada no ano passado. No encerramento, já passando das 22h30, entrou a Império do Morro, campeã de 2024, cuja bateria provocou as rivais com um “solo” de percussão por alguns minutos. “Foi um grande evento, a população precisava sentir o carnaval”, avaliou Robson Lacerda, presidente da escola.
No intervalo das apresentações, a prefeitura de Corumbá e a Liesco homenagearam carnavalescos, radialistas e políticos com premiações nas categorias Cidadão do Samba e Baluarte do Carnaval. Entre os agraciados, o prefeito corumbaense Gabriel de Oliveira e o deputado estadual Paulo Duarte, presentes ao evento, o governador Eduardo Riedel e o secretário estadual Marcelo Miranda, do Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania (Setesc).
Porta-bandeira e mestre-sala da Império do Morro empolgaram o público com suas evoluções
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