domingo, 25 de outubro de 2026
MANEJO DO FOGO

Novas regras reconhecem práticas do pantaneiro

23 JAN 2025 - 08h49 Por Silvio de Andrade

As medidas anunciadas pelo Governo do Estado para flexibilizar o processo de licenciamento do Manejo Integrado do Fogo (MIF), que consiste na autorização para que o proprietário rural realize queimadas controladas em sua propriedade, é o reconhecimento de uma técnica há anos preconizada pelos pantaneiros como necessária para controlar os incêndios em sua propriedade.

A opinião é do presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Gilson de Barros, ao avaliar como extremamente positiva a decisão governamental atendendo a uma reivindicação antiga dos pantaneiros. Ele disse que os altos valores por hectare taxados pelo Imasul (Instituto do Meio Ambiente de MS), por meio da portaria nº 1.259, inviabilizavam o licenciamento em grandes propriedades.

"Queremos agradecer ao governador Eduardo Riedel e sua equipe pela iniciativa e pioneirismo em modernizar o processo de licenciamento do Manejo Integrado do Fogo, dando ao produtor uma segurança jurídica e mais agilidade nas ações de prevenção contra os incêndios", destaca.

Gilson de Barros: pantaneiro faz manejo natural

Controle natural

O não controle adequado do fogo originou os grandes incêndios que ocorreram no Pantanal nos últimos anos, pontuou Barros. “É muito melhor queimar algo como 5% a 10% da fazenda, durante as chuvas, para evitar que 70%, 80% queime na seca. O que o pantaneiro quer é que se incentive as queimas controladas, uma prática usada no mundo. O Pantanal é uma savana e toda savana é sujeita a fogo.”

O presidente do sindicado explicou que após o período chuvoso as gramíneas que o gado e os animais selvagens não consonem se acumulam, formando uma biomassa que se torna um combustível para o fogo sem controle. “Quando se queima essas áreas, a rebrota é consumida pelo gado e os animais e, assim, fazemos o controle natural há mais de dois séculos”, citou.

“Essa prática também deve ser usada nas reservas ambientais, RPPNs e parques, para evitar que sejam sistematicamente assoladas por grandes incêndios, como ocorreu no ano passado”, cobrou o dirigente rural.

Mais agilidade

A modernização do licenciamento do Manejo Integrado do Fogo é um processo natural, conforme explicou o diretor presidente do Imasul, André Borges, com base no que foi observado nos últimos anos em que a medida vem sendo aplicada no Estado. "Estamos discutindo as mudanças a serem feitas, atendendo demandas dos proprietários rurais”, disse.

O governo estadual anunciou que a modernização no licenciamento dará mais agilidade nas ações de prevenção contra o fogo, reduzindo a incidência, intensidade e a severidade de incêndios, bem como promover o processo de educação ambiental, utilizando o fogo como ferramenta para erradicação de espécies exóticas e invasoras, quando consideradas indesejadas.

(Assessoria de Imprensa do Sindicato Rural de Corumbá)
 

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