domingo, 25 de outubro de 2026
CORUMBÁ

COM REFORMA PARALISADA, PRÉDIO DO ILA SE DETERIORA COM ABANDONO

04 DEZ 2024 - 12h43 Por Silvio de Andrade

A falta de conservação dos prédios históricos de Corumbá, seja no porto geral ou no entorno da área tombada pelo patrimônio histórico federal, é o retrato do abandono da cidade, que acumula lixo, moradores convivem com escuridão nos bairros, arborização em declínio e ausência de políticas públicas. Cenas do cotidiano que chocam entre o passado e o presente.

Entre os casarões que apresentam aspecto de desmazelo se destaca o Ila (Instituto Luiz de Albuquerque), cuja calçada da sua imponente fachada está tomada pelo mato. A prefeitura recebeu R$ 3,2 milhões do governo federal para sua reforma, depois da transferência do bem pelo Estado, mas a obra iniciada em 2021 paralisou um ano depois sem previsão de continuidade.

Mato toma conta da calçada em frente ao prédio

Ficaram as marcas nas paredes de uma intervenção mal sucedida a prefeitura culpa a empreiteira, que teria descumprido o contrato -, impactando um belo exemplo da arquitetura em estilo eclético que compõe o conjunto histórico da cidade. Construído entre 1918 e 1922 para ser um grupo escolar, situa-se na Praça da República, de frente para o Rio Paraguai e o Pantanal.

Riscos de incêndio

Com grandes salões e janelas, o prédio conta ainda com um pátio, onde a reforma demoliu um espaço coberto que sediava oficinas de arte e eventos culturais. Abrigando um valioso acervo e duas das maiores bibliotecas do Estado, tornou-se nas últimas décadas uma verdadeira casa da cultura sul-mato-grossense. Porém, em nenhum momento passou por um restauro efetivo.

A falta de manutenção e conservação implicou em sucessivas interdições, um das quais motivada por Ação Civil Pública do Ministério Público Federal (MPF), com base nos riscos de incêndio e na necessidade de se tomar medidas de segurança na edificação. Em 2014, foi realizada uma reforma paliativa contemplando o telhado, que estava desabando.

Suspensão da reforma deixou marcas do inacabado

O centenário casarão está fechado há 10 anos e na retomada da reforma foram transferidos para outros espaços o acervo, que inclui 12 mil jornais catalogados dos séculos XIX e XX e duas mil fotos antigas da cidade, o Museu Regional do Pantanal e a Biblioteca Municipal Lobivar Matos, com 16 mil livros. Por último, de centro cultural passou a ser sede da Defesa Civil local.

Nova licitação

Em julho de 2020 foi anunciada a tão esperada restauração, com recursos do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) repassados ao município. O projeto incluía intervenções em toda a estrutura (janelas, portas, piso de madeira, escadaria, área externa, telhado, ladrilhos, hidráulica e elétrica) e instalação de um elevador acoplado ao prédio.

A prefeitura prometeu finalizar a obra em um ano, relatando que o maior problema do prédio era o telhado, ameaçando ruir. A requalificação envolveria as áreas externas, como praças e ruas, agregando mais conforto, iluminação, segurança, beleza e qualidade de vida ao espaço público, valorizado por outro prédio centenário, a Igreja de Nossa Senhora da Candelária (1885). 

No entanto, o que se vê hoje é uma obra (entre tantas) abandonada, "um verdadeiro sinistro", como definiu um ativista cultural da cidade. O prefeito eleito Gabriel Oliveira garantiu a retomada imediata da reforma, que será relicitada nos primeiros meses de 2025. Também anunciou a criação da Fundação do Patrimônio Histórico para fazer a gestão real desse bem material.

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