A Sanesul realizou ontem operação conjunta com a Polícia Civil, em Corumbá e Ladário, para combater as fraudes no sistema de distribuição de água, cujas irregularidades são recorrentes e alarmantes nas duas cidades. Em Corumbá, estima-se que o índice de perda da água produzida chega a 70% e a principal causa (60%) é a fraude.
Considerado crime, a maior fonte de desperdício nos sistemas de abastecimento, a ligação clandestina - conhecida como "gato" - é a forma encontrada para se ter acesso ao fornecimento de água sem a devida cobrança legal. Na operação de ontem, a fiscalização encontrou uma nova modalidade: o “gato comunitário”, onde o furto se estendia a uma rede de residências.
Técnicos da Sanesul e agentes da Polícia Civil e da Polícia Científica inspecionaram 10 imóveis em Corumbá e quatro em Ladário, onde foi constatada fraude inclusive em uma igreja evangélica. Irregularidades foram verificadas também em imóveis de alto padrão, supermercado, escolas e casas para eventos (com piscinas). Duas pessoas foram encaminhadas à delegacia.
Presença de policiais garante execução da fiscalização: antes os técnico da Sanesul eram ameaçados pelos moradoresAmeaças
“Deflagramos a primeira operação em março e até agora conseguimos recuperar 153 litros/dia de água por unidade consumidora, perfazendo um total aproximado de 4 milhões de litros/dia”, informou Marcos Martins, gerente da empresa em Corumbá. “A fraude gera um impacto na tarifa de quem realmente paga o serviço”, observou.
As fraudes mais comuns praticadas nas duas cidades são: desvio do ramal com ligação direta na rede e intervenções na medição com adulteração no hidrômetro, que é modificado ou danificado para reduzir o volume da água consumida. Na primeira operação, em maio, foram registradas irregularidades em hotéis e lava jatos.
O gerente da Sanesul disse que o apoio das forças de segurança público tem contribuído para detectar o roubo de água, em cujas ações anteriores os funcionários da empresa eram ameaçados ou impedidos de entrar nos imóveis. “Havia muita resistência das pessoas e hoje a presença da polícia também facilita a elaboração os boletins de ocorrência”, explicou.
Martins adiantou que a fiscalização continua e vai apurar também como se processa a oferta de serviços nas duas cidades para efetivação da ligação clandestina e a origem do material usado.
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