A pesca esportiva em Mato Grosso do Sul, que tem Corumbá como maior polo, não sofreu prejuízos com as queimadas e a crise hídrica que castigam o Pantanal. Com exceção de Porto Murtinho, na fronteira com o Paraguai, onde o índice de cancelamentos de reservas foi mais significativo, em Corumbá 95% dos pacotes comprados antecipadamente foram mantidos e o destino fecha a temporada, em 5 de novembro, com mais de 25 mil pescadores em 2024.
“Tivemos poucas desistências, apesar dos impactos ambientais que estamos vivendo”, afirma a empresária Joice Santana, que opera a maior frota de barcos-hotéis da região. “Quem veio ao Pantanal, para compensar o fogo e as baías secando, viu muitos bichos na beira dos rios. E também foi uma temporada farta de peixes, os pescadores não reclamaram”, acrescenta. “Para o ano que vem, esperamos que o Pantanal se recupere, a procura por reservas está crescendo.”
Empresário Luiz MartinsMais cauteloso, o empresário Luiz Antônio Martins, que opera com hoteis e barco-hotel na região, reclama da campanha distorcida que, segundo ele, é feita por alguns setores ambientalistas dizendo que o bioma está destruído e vai ser extinto. “Mesmo com essa propaganda negativa, o fogo e a seca não prejudicaram tanto o nosso turismo de pesca. Tivemos redução de grupos; agora, se não chover, 2025 será um ano muito difícil”, sinaliza.
A crise é global
Corumbá conta com a maior estrutura fluvial para a pesca esportiva e pratica o pesque-solte. São 28 barcos-hotéis, para 12 a 80 pessoas, e 32 barcos para recreio. O turista encontra ainda dezenas de pousadas e pesqueiros na beira dos rios Paraguai, Miranda e Paraguai-Mirim. A pesca embarcada oferece pacotes de até cinco dias, onde o pescador leva apenas sua traia de pesca: a embarcação tem ótimas acomodações, saborosa comida pantaneira, barcos a motor e guias de pesca.
Pescaria de graúdos no distrito de Albuquerque“As adversidades ambientais que ocorrem com a escassez hídrica e as queimadas são questões globais, não apenas do Pantanal. Mas da forma como se propaganda a notícia dá a impressão de que só está ocorrendo no Pantanal”, diz o empresário Ademilson Esquivel, diretor da Associação Corumbaense das Empresas Regionais de Turismo (Acert). “Tivemos limitações, em algum momento, mas o rio se manteve piscoso, e estamos esperançosos que o Pantanal voltará ao que era.”
“Foi um bom ano”
Dono de pesqueiro no distrito de Albuquerque (distante 70 km de Corumbá), o empresário Átilla Lelis aponta outros fatores climáticos, como as inundações no Rio Grande do Sul, pela queda no movimento de turistas, esse ano, em relação a temporada anteriores. “Em junho, por exemplo, tivemos o cancelamento de um grupo de 50 turistas do Sul. Com a fumaça das queimadas, pessoa idosas também desistiram da pesca. Mas foi um ano bom”, comenta.
Em Porto Murtinho, os efeitos ambientais foram mais impactantes para o setor. O empresário Marco Aurélio Nunes (Marcão), da Pousada do Pescador, aponta que o número de cancelamento de reservas foi acentuado. “Foi um ano regular, o rio (Paraguai) baixou muito, está difícil navegar e algumas espécies de peixes, como o pacu e o piau, sumiram”, relata. “Mas, não podemos reclamar, vai dar para pagar as contas e os empregados”, diz.
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