Em meio ao alerta dos altos número de focos de incêndio no primeiro semestre deste ano, o Instituto Ampara Animal e o WWF-Brasil lançam o Guia de Manejo de Animais Silvestres impactados pelo fogo no Pantanal, uma resposta crucial frente às ameaças enfrentadas por este bioma tão importante para a biodiversidade brasileira. Em 2020, intensos incêndios resultaram na devastadora perda estimada de milhares de vertebrados no Pantanal.
O documento disponibiliza técnicas e ferramentas acessíveis em ações emergenciais sobre como proceder em situações de incêndios. Entre os principais tópicos abordados no Guia estão a indicação de órgãos de resgate, questões de segurança, avaliação de riscos ambientais, equipamentos necessários para o manejo e sedação de animais, protocolos de resgate, técnicas de manejo específicas para diferentes grupos da fauna, primeiros socorros, transporte seguro de animais resgatados e tratamentos para queimaduras.
Essas diretrizes visam mitigar os impactos imediatos dos incêndios na fauna local e capacitar as comunidades locais e equipes de resgate, promovendo a conscientização sobre a importância da conservação do Pantanal. O guia pode ser baixado gratuitamente neste link.
Mais proteção
Cyntia Santos, analista de Conservação do WWF-Brasil, destaca a relevância dessa iniciativa como uma ferramenta essencial para a conservação da rica biodiversidade pantaneira, especialmente em um contexto de intensificação das ameaças ambientais.
“O guia de manejo de animais silvestres impactados pelo fogo no Pantanal compila informações, experiências e técnicas relevantes para a conservação da riquíssima biodiversidade pantaneira. Publicações como essa são extremamente importantes na busca por um Pantanal mais resiliente e conservado, onde as espécies, e as áreas nas quais elas habitam, estejam cada vez mais protegidas”, afirma.

Juliana Camargo, fundadora e diretora do Instituto Ampara Animal, enfatiza que o guia reflete o compromisso contínuo da organização com o cuidado e a proteção da fauna brasileira, evidenciado pela instalação da Base de Atendimento Ampara Pantanal (BAAP), o primeiro centro de reabilitação da fauna pantaneira.
“Nestes anos de atuação, foram mais de 500 ações de resgate, envolvendo uma equipe técnica extensa e que hoje resulta na BAAP. Nosso objetivo é diminuir os impactos imediatos e promover capacitação e preparação contínua para enfrentar as crises ambientais do bioma”, ressalta.
Resposta rápida
Além dos incêndios, o Pantanal enfrenta pressões significativas, como a expansão agrícola no planalto, a pecuária intensiva, a exploração florestal, a mineração, além de alterações no regime hidrológico devido à construção de infraestrutura, como as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs); crimes ambientais, como caça ilegal e pesca predatória.
As mudanças climáticas, exacerbando os períodos de seca e aumentando a frequência e intensidade dos incêndios, representam uma ameaça crítica adicional ao bioma.
Em 2024, o Pantanal continua a enfrentar desafios, com aumento das queimadas, atribuídas principalmente à crise climática que resulta em secas severas e chuvas insuficientes para manter o ecossistema equilibrado. Só neste ano, o Pantanal já queimou mais que no primeiro semestre de 2020, quando o fogo consumiu 30% do bioma, e a tendência é que 2024 seja um ano mais seco do que os anos anteriores.
“Esse cenário reforça a urgência de iniciativas como o guia que foi lançado, que não só responde às emergências imediatas, mas também visa fortalecer a capacidade de resposta e preparação para crises ambientais futuras”, afirma Cyntia.
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