Com intuito de mapear e quantificar as áreas de pastagem passíveis de recuperação na bacia do alto Taquari, região degradada pela monocultura da soja a partir dos anos de 1970, em Mato Grosso do Sul, o instituto Taquari Vivo firmou parceria com a empresa Santos Lab. Este diagnóstico inicial permitirá definir as potencialidades da região para projetos de recuperação de vegetação e de pastagens degradadas.
Em um primeiro momento o foco será em três serviços ecossistêmicos: controle de erosão do solo, provisão de água e estoque de carbono na vegetação da região.
“A partir desses dados, serão avaliados os efeitos da recuperação da vegetação em APPs e em reservas legais, e de que forma essas ações podem gerar maiores benefícios em termos de controle de erosão, provisão de água e sequestro de carbono. Essas informações serão úteis para definir áreas específicas onde programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) devem concentrar os esforços e abrem possibilidades para a geração de crédito de carbono para os produtores rurais”, explica o diretor do instituto, Renato Roscoe.
Levantamento
Para estimar os efeitos da restauração sobre os serviços ecossistêmicos, será utilizado o software InVEST (Integrated Valuation of Ecosystem Services and Tradeoffs), que foi desenvolvido por diversas instituições internacionais sob a liderança da Universidade de Stanford. Este software tem sido amplamente utilizado para informar a tomada de decisão quanto a políticas de uso da terra em todo o mundo e, mais recentemente, no Brasil.
“A partir desses dados coletados pelo inVEST, é possível quantificar, mapear e valorar uma série de serviços ecossistêmicos, incluindo provisão de água, retenção de nutrientes, retenção de sedimentos, estoque de carbono, polinização, dentre outros. Esses modelos podem ser usados para explorar como mudanças no uso e cobertura da terra alteram o fluxo dos serviços ecossistêmicos. Por exemplo, é possível analisar o impacto da recuperação da vegetação nativa ou o desmatamento sobre a retenção de solo e a provisão de água”, aponta Bruno Teixeira, da Santos Lab.
Maiores efeitos
Etapas futuras do projeto irão incluir os custos econômicos associados às ações de conservação e restauração, o que permitirá selecionar áreas em que projetos de PSA irão gerar maiores benefícios ambientais com os menores custos.
Será possível, por exemplo, identificar as propriedades em que a recuperação da vegetação trará maiores efeitos para a redução de processos erosivos, mas que também custará menos para ser implementado, como em áreas com alto potencial de regeneração natural.
Também será possível incluir dados de biodiversidade nas análises, com o intuito de identificar áreas em que a recuperação da vegetação nativa irá gerar maiores benefícios à fauna e flora da região, controlando também os custos econômicos.
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