Com o início da reprodução do papagaio e demais psitacídeos (arara, periquitos, maritacas, etc.) e várias outras espécies de aves agora em agosto, a Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul (PMA), pelo quarto ano consecutivo, deflagrou a Operação Bocaiúva contra o tráfico de animais silvestres.
Neste período do ano aumenta a pressão dos traficantes sobre a fauna, em especial o papagaio. O foco do problema localiza-se na divisa do Estado com São Paulo e Paraná, estendendo-se por uma grande área eu abrange os municípios de Jateí, Batayporã, Bataguassu, Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Anaurilândia, Santa Rita do Pardo, Nova Andradina, Três Lagoas e Brasilândia, além de Naviraí, Itaquiraí, Eldorado e Mundo Novo.
A “Operação Bocaiúva” envolverá policiais das subunidades da PMA localizadas na região mais afetada, as quais receberão reforços de outras unidades, no intuito principal de evitar a retirada dos filhotes dos ninhos, cuja ação, mesmo quando se apreende os animais, não evita os danos à natureza, que são incalculáveis. Os custos financeiros para cuidar dos bichos até a reintrodução envolvem também muito dinheiro público.
Bloqueios: ação de combate ao tráfico de animais ocorre com mais força na divisa de MS com SP e PRPeríodo crítico
O tráfico de animais silvestres é considerado a terceira atividade criminosa mais rentável, perdendo apenas para o tráfico de drogas e o tráfico de armas. Porém, em Mato Grosso do Sul, o problema se resume quase que especificamente ao papagaio.
Como o que interessa ao comprador da espécie é a capacidade que ela tem de aprender a imitar a voz humana, a retirada só é realizada enquanto filhote. Por esse motivo, o período de reprodução (agosto a dezembro) é preocupante com relação ao tráfico de animais silvestres no Estado.
Por isso, neste período, operações preventivas nas propriedades rurais para prevenir a retirada dos animais e aliciamentos de funcionários de fazendas e assentados pelos traficantes, para a retirada dos filhotes são fundamentais.
Também é importante a vigilância a traficantes presos em anos anteriores. Bloqueios são importantes também nas saídas do Estado, principalmente com São Paulo, inibindo a ação de traficantes de outras regiões.
Papagaios: maior pressãoNos anos anteriores
A operação deste ano continua em razão dos resultados positivos na prevenção ocorridos nas operações anteriores, quando houve redução dos papagaios apreendidos – 180, em 2019, e apenas sete papagaios em 2020, uma redução de 94% e a mesma quantidade de traficantes presos.
Em 2021, houve um aumento, quando foram apreendidos 223 papagaios sendo transportados ilegalmente por um casal paranaense, preso em flagrante pelos policiais ambientais.
“Isso indica que os infratores estão sendo detidos sem que consigam retirar grande quantidade de animais. Além disso, não foram registradas apreensões de animais no estado de São Paulo, para onde eles são destinados com mais frequência, saídos do Mato Grosso do Sul, diferentemente de outros anos”, informa o tenente-coronel Ednílson Queiróz, assessor de imprensa da PMA.
Apreensões aumentaram no ano passadoNa área rural
Além dos trabalhos de inteligência realizados pelas subunidades da PMA, principalmente mantendo vigilância sobre as pessoas já detidas por envolvimento no tráfico, durante a Operação Bocaiúva as equipes serão distribuídas em propriedades rurais, assentamentos, com vigilância e orientações, bem como bloqueios em rodovias e estradas vicinais.
Trabalhos de informação e de educação ambiental também serão realizados em áreas rurais: o modus operandi principal dos traficantes é de aliciamento dos sitiantes e funcionários de propriedades rurais e assentados, para que retirem os animais e os avisem para que os comprem.
“Muitas pessoas fazem isto, às vezes, sem saber que estão cometendo crime ambiental”, explica o tenente-coronel Queiróz.
Além disso, outros órgãos de segurança, como a Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal, principalmente da região com maior índice do tráfico, serão alertados para atentarem ao problema neste período e apoiarem as ações de combate ao tráfico durante suas operações.
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