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Parque Nacional do Iguaçu abriga 89 espécies de esperança

07 JUN 2022 - 12h57 Por REDAÇÃO

Conhecido pelas majestosas Cataratas do Iguaçu, o Parque Nacional do Iguaçu guarda outros tesouros em seus 1.850 km². Um desses tesouros foi revelado em um artigo publicado recentemente na revista internacional Zootaxa. O parque é, atualmente, a unidade de preservação brasileira detentora do maior número de espécies do inseto conhecido como esperança (família Tettigoniidae). São 89 espécies em cinco subfamílias. 

O artigo é resultado da pesquisa realizada pelo biólogo Marcos Fianco, mestre em Biodiversidade Neotropical pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), e reforça a importância da preservação do Parque Nacional do Iguaçu, um dos poucos locais de conservação de Mata Atlântica.

Em sua pesquisa de mestrado, Marcos Fianco fez um inventário de todas as espécies de esperanças que habitam o Parque e registrou o canto de 34 delas. Dos 89 tipos de esperanças encontrados, pelo menos oito são novos para a ciência. Além disso, o som de 29 espécies até então desconhecidas foi gravado pela primeira vez. O estudo revelou que o Paraná é o segundo estado com o maior número de espécies de esperanças conhecidas, com 94. Antes da pesquisa, a ciência apenas reconhecia a existência de 19 espécies no estado. 

Escreva a legenda aqui Indivíduos do gênero Typophyllum podem parecer folhas secas e deterioradas...
 

“Durante a pesquisa, várias espécies foram encontradas pela primeira vez no estado e na Região Sul do Brasil, sendo que alguns registros são inéditos mesmo para o país”, salientou Fianco, que atualmente é doutorando em Entomologia na UFPR. 

O artigo tem como coautores os professores Neucir Szinwelski (Unioeste) e Luiz Roberto Ribeiro Faria Júnior (UNILA), que também foram orientadores de Fianco durante o mestrado na UNILA.

Animal inofensivo

Algumas esperanças encontradas no parque chamam mais a atenção. “Temos muitas espécies que mimetizam folhas, mas a de um dos gêneros, Typophyllum, possui uma camuflagem fantástica. Nesse gênero existem indivíduos marrons, parecendo folhas secas e deterioradas, e indivíduos verdes, se camuflando com folhas verdes”, conta Marcos. 

O biólogo explicou que essa camuflagem é uma estratégia de proteção. “O predador não vê a esperança e assim não come ela, simplesmente por não conseguir diferenciá-la do meio em que ela está, que são folhas secas ou verdes”, complementou.

Embora o mais comum seja que as esperanças se pareçam com folhas, algumas imitam outros insetos. A Scaphura nigra, por exemplo, mimetiza espécies de vespas na morfologia, coloração e comportamento. 

ou podem ser encontrados na coloração verde, se camuflando com folhas em meio à mata

“A esperança é um animal inofensivo e imita as características de um animal perigoso que possui ferrão como forma de proteção. Animais predadores tendem a não se alimentar por reconhecer, pela sua morfologia, coloração e comportamento, que essa esperança seria um inseto perigoso”, explicou. 

A característica de camuflagem desses insetos, essencial para sua sobrevivência, faz com que a pesquisa de campo com esperanças seja bastante trabalhosa. Para conseguir fazer o inventário faunístico, Marcos Fianco passou quase 40 dias no Parque, entre 2017 e 2019, coletando esperanças. Depois, os insetos foram levados para os laboratórios da UNILA, onde o pesquisador fotografou, analisou a morfologia e gravou o canto das esperanças. 

“As características acústicas são importantíssimas na comunicação destes insetos. Nós, pesquisadores, podemos utilizar esses registros na área da Taxonomia para identificação e reconhecimento de espécies. Também usamos esses registros na área de Ecologia, podendo até serem utilizados em escalas maiores, como em estudo das mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, sobre a dinâmica dos parâmetros acústicos e distribuição de espécies”, destacou.

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