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CENTRO-OESTE

CAMPO GRANDE ENTRE AS CIDADES MAIS AVALIADAS EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

21 NOV 2021 - 19h24 Por SÍLVIO DE ANDRADE

Quais as cidades do Centro-Oeste do país mais próximas de atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) previstos na Agenda 2030? Quais as mais distantes de alcançar as metas? As respostas para essas e outras questões relacionadas ao tema podem ser encontradas no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades - Brasil (IDSC-BR).

Goiânia (GO) e Campo Grande (MS) são os municípios da região mais bem classificados no ranking elaborado pelo IDSC-BR, ou seja, estão mais próximos de cumprir os ODS. A pontuação média da capital goiana no índice é de 61,68, enquanto a da sede administrativa de Mato Grosso do Sul chega a 58,64. Dourados (MS) aparece na décima colocação.

O IDSC-BR analisou os dados de 59 cidades do Centro-Oeste - 50 localizadas no estado de Goiás, cinco em Mato Grosso do Sul e quatro em Mato Grosso - e, pela metodologia utilizada no estudo, quanto mais perto de 100 a pontuação estiver, menor a distância para o município atingir os objetivos definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015.

As 10 cidades melhores classificadas da região Centro-Oeste no IDSC-BR: 1ª Goiânia (GO) 61,68; 2ª Campo Grande (MS) 58,64; 3ª Nerópolis (GO) 57,59; 4ª Anápolis (GO) 56,27; 5ª Nova Veneza (GO) 56,05; 6ª Rondonópolis (MT) 54,85; 7ª Inhumas (GO) 54,83; 8ª Goianésia (GO) 54,55; 9ª Águas Lindas de Goiás (GO) 54,52; 10ª Dourados (MS) 54,48.

Baixo índice

O Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades - Brasil (IDSC-BR) permite também comparar a pontuação dos municípios do Centro-Oeste com a registrada por aqueles localizados em outras regiões do país. Ao fazer isso, verifica-se que Goiânia está na 111ª posição do ranking nacional. Campo Grande encontra-se bem mais distante: na 225ª colocação.

Ao todo, o levantamento avaliou e comparou dados de 770 municípios brasileiros, incluindo as capitais estaduais, cidades das regiões metropolitanas mais populosas e de todas as regiões e biomas do país.

Focando apenas nos municípios da região Centro-Oeste, os de menor pontuação média no índice e, portanto, os mais distantes de atingir os ODS são Vila Boa (GO) e Flores de Goiás (GO). O primeiro registra 38,99 pontos e o segundo, 39,25. No ranking nacional, Vila Boa está na 757ª colocação e Flores de Goiás na 755ª posição.

Na classificação das demais cidades avaliadas no Centro-Oeste, Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul, aparece na 12ª posição, com índice de 54,27. Os demais municípios do Estado estão com baixa avaliação. Corumbá está na 36ª, com 49,51, e Aquidauana em 50ª, com 45,84.

Maiores desafios

Elaborado pelo Programa Cidades Sustentáveis, em parceria com a Sustainable Development Solutions Network (SDSN) e com apoio do Projeto CITinova, o IDSC-BR revela ainda a situação dos municípios em relação a cada um dos 17 ODS.

Segundo os dados separados por objetivo, os maiores desafios para o conjunto das cidades do Centro-Oeste cumprir a Agenda 2030 estão relacionados ao ODS3 - Saúde e Bem-Estar, ODS 4 - Educação de Qualidade, ODS 10 - Redução das Desigualdades e ODS 5 - Igualdade de Gênero.

Dos 59 municípios da região avaliados, 58 estão com o OD3 - Saúde e Bem-Estar assinalado em vermelho, a pior avaliação da tabela de cores estruturada no levantamento. Apenas uma, Corumbá de Goiás, registra o objetivo na cor laranja, a segunda pior na escala.

Situação parecida ocorre com o ODS 4 - Educação de Qualidade e ODS 10 - Redução das Desigualdades. Ambos registram cor vermelha para 57 cidades e laranja em apenas duas.

Já o ODS 5 - Igualdade de Gênero tem marcação vermelha para 56 municípios, enquanto três estão em laranja.
A tabela registra ainda as cores verde - a melhor avaliação - e a amarela - a segunda melhor.

Para elaborar a tabela de cores por ODS e a pontuação de cada município, o IDSC-BR utilizou 88 indicadores de gestão relacionados aos diversos temas abordados pelos 17 ODS. O levantamento dos dados foi realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Queimadas e pandemia

Os dados utilizados pelo IDSC-BR para avaliar o desempenho dos municípios são anteriores aos graves problemas enfrentados pela região Centro-Oeste de secas e queimadas, bem como do início da pandemia de Covid-19. Portanto, não incluem os impactos negativos desses fatos na saúde, educação, desigualdade social, meio ambiente e em outras áreas relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Este ano, por exemplo, a área queimada do Pantanal superou a média histórica em período de seca. Localizado em Mato Grosso do Sul, o bioma é a maior planície alagável do planeta. Porém, está há três anos sem cheia nos rios, o que provoca consequências econômicas, sociais e ambientais para toda a região.

Em relação ao novo coronavírus, de acordo com especialistas, a pandemia piorou os indicadores de saúde, ampliou as desigualdades e, em virtude do necessário fechamento de escolas, afetou o aprendizado dos alunos e provocou evasão escolar.

Focando apenas neste último ponto, a educação, o Banco Mundial emitiu um relatório alertando que as consequências podem ser graves e duradouras para o processo de aprendizagem. "Dois a cada três alunos brasileiros podem não aprender a ler adequadamente um texto simples aos 10 anos", afirma o documento, que analisou o impacto da Covid-19 na educação dos países da América Latina e Caribe.

Portanto, os desafios para as cidades alcançarem os ODS podem ser ainda maiores.

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