O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou o processo de registro do Banho de São João de Corumbá e Ladário, cidades no Estado do Mato Grosso do Sul, como Patrimônio Cultural do Brasil.
O ritual do banho tem registros desde o período do pós-guerra do Paraguai, ainda no século 19. A solicitação foi apresentada pela Fundação de Cultura e Turismo do Pantanal. O Banho de São João é uma celebração religiosa e festiva que acontece na passagem do dia 23 para o dia 24 de junho nessas duas cidades localizadas no Pantanal.
A festa é constituída de uma série de procissões nas quais fieis carregando andores se encaminham até o Rio Paraguai e banham a imagem de São João nas suas águas. Simbolicamente, o ato transformaria o rio Paraguai nas águas milagrosas do Rio Jordão, onde o santo teria sido batizado.
“A relação com as águas do rio Paraguai é fundamental na cosmologia dessa celebração junina, pois esse ritual religioso de devoção, júbilo e alegria coincide com o ciclo das águas e a marca o início de um novo ciclo da natureza no Pantanal, com o aumento das áreas de pastagem e abundância de peixe”, diz a publicação do Iphan.
Festa tradicional reúne milhares de pessoas no sobe e desce da Ladeira Cunha e Cruz, no banhar da imagem do santo no Rio ParaguaiFesta de todos os ritos
Segundo a defesa do tombamento imaterial, o Banho de São João é um momento de integração das comunidades das cidades da região , que começa com os preparativos nas casas e tem seu ápice na festa pública que é o ato de dar banho no santo, seguido de festas familiares ou comunitárias nas casas dos fiéis.
“A aglomeração no Porto Geral, em Corumbá, e no Porto de Ladário, para assistir e participar dos rituais do banho, brincar com os cortejos, receber bênçãos e louvar São João, faz parte de uma celebração única e que se distancia da devoção privada dos preparativos e, inclusive, das festas nas casas, tornando-se pública para a população e se configurando como uma importante ocasião para mesclar o caráter de devoção com a sociabilidade enquanto comunidade, sobretudo quando se considera que adeptos de diferentes religiosidades se reúnem em uma mesma festa”.
Longe dos holofotes e da multição, fiéis cumprem promessas isoladamente: apesar do poder público, comunidades fazem a festaDiversidade cultural
A história e as transformações nos processos desse ritual, seu contexto sociocultural e até mesmo a localização dessa região fazem parte da formação e das especificidades desse bem cultural, ressalta o patrimônio, acentuando a relação com o rio Paraguai, pelas relações de fronteira com a Bolívia e o multiculturalismo dessa região.
A celebração do encontro tem um aspecto de diversidade, sendo cultuada por devotos católicos, kardecistas e de religiões de matriz afro-brasileira, como candomblé e umbanda, nas quais São João é sincretizado como Xangô.
“Essa celebração aporta elementos importantes para a memória, identidade e a formação de grupos formadores da sociedade brasileira, na medida em que congrega saberes e práticas que dizem respeito à história de colonização do Oeste brasileiro e da vida da diversidade de pessoas que passaram a viver no Pantanal”, sustenta a proposta do Iphan.
* Um dos editores do site de cultura Farofafá (farofafa.cartacapital.com.br)
Leia Também
Barcaça afunda em porto da Lhg durante carregamento de minério
Gabriel criará comitê para apurar lama em Maria Coelho
Corumbá abre em novembro a rematrícula na Reme
MORADORES DENUNCIAM AO MPE CRIME AMBIENTAL CAUSADO PELA MINERADORA LHG
PMA iniciou operação pré piracema nos rios do Pantanal