terça-feira, 03 de novembro de 2026 - 01:06
DESEQUILIBRIO

Desmatamento sem controle no Cerrado aumentou 33% em dois anos

06 AGO 2017 - 18h45 Por Redação

Entre julho de 2013 e agosto de 2015, o Cerrado perdeu 18.962,45 km2 de vegetação nativa. São mais de três vezes o tamanho do Distrito Federal devastado em um período de dois anos, segundo os dados recém disponibilizados no site do Ministério do Meio Ambiente.

No período, a taxa média de desmatamento anual foi de 9.481 km², representando um aumento de 33% quando comparado com a análise dos anos anteriores, 2009 a 2011 (7.117 km2 em média cada ano). O que significa também que dos biomas brasileiros, o Cerrado é o que registra o maior ritmo de desmatamento. 

O desmatamento segue acelerado no bioma e se esse ritmo for mantido até 2050 haverá o maior processo de extinção de espécies de plantas já registrado na história, com três vezes mais perdas de flora do que houve desde 1500, segundo a revista Nature Ecology and Evolution.

Fora do controle 

Apesar do risco de extinção do bioma, o Cerrado ficou de fora do compromisso brasileiro na COP-21. Sem falar que é pouco protegido pelo Código Florestal (apenas 20% da área privada é protegida) e o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado) prevê metas de redução acima da média de desmatamento apontado pelo monitoramento contínuo do bioma nos últimos anos, ou seja, sem qualquer ambição real para conter o problema”.

“O desmatamento no Cerrado está fora do controle. Não podemos seguir destruindo este bioma que é tão importante para o Brasil, seja em termos de biodiversidade, água e equilíbrio climático” afirma Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil.

Comprometimento 

O Brasil, segundo ele, precisa enfrentar esta situação de uma forma ampla, envolvendo a sociedade, o governo e o setor privado.

“Precisamos de um grande pacto contra a destruição do Cerrado, do contrário, em alguns anos, restará muito pouco deste bioma tão precioso. Está na hora de assumir que a agropecuária só pode se expandir sob pastos degradados e não sob ecossistemas naturais”, diz.

Programas de monitoramento periódico do desmatamento, à exemplo do Prodes-Cerrado, na avaliação de Voivodic, “são fundamentais para informar a taxa de perda de vegetação anual, ajudando na fiscalização”.

Leia Também

Megafone

Desenvolvimento econômico é importante, mas não pode acontecer às custas da qualidade de vida da população

Prefeito de Corumbá, Gabriel de Oliveira, questionando os impactos da mineração no distrito de Maria Coelho

Vídeos

Conheça o verdadeiro caldo de piranha

Mais Vídeos

Opinião

Gilberto Verardo

O calvário jurídico

Armando Arruda Lacerda

Pantaneirismo e a eterna busca por ações orgânicas

Nelson Araújo Filho

Vermelhos