quinta, 20 de fevereiro de 2020
TENDÊNCIA

Voo de Lisboa para Recife reproduz o glamour dos anos 70

06 DEZ 2017 - 16h14Por Carolina Muniz/Folha Press

À porta do avião da TAP, aeromoças vestidas com uniformes dos anos 1970 receberam os 228 passageiros do voo com destino a Recife, que saiu do aeroporto de Lisboa na tarde desta segunda (4). Só então, muitos deles perceberam que estavam prestes a entrar também em uma viagem no tempo.

Buscando reproduzir o glamour da aviação da década de 1970, o voo retrô da TAP à capital pernambucana comemorou os 50 anos da operação dessa rota pela companhia portuguesa. É também o terceiro do tipo ao Brasil – o primeiro foi do Porto para São Paulo em agosto, e o segundo, de Lisboa para o Rio em setembro.

As viagens retrô fazem parte da celebração dos 72 anos da TAP. Outras cinco foram realizadas neste ano a outros destinos: Toronto (Canadá), Luanda (Angola), Maputo (Moçambique), Miami e Nova York (Estados Unidos).

"A iniciativa previa seis voos, e já estamos no oitavo. Posso dizer que ela não vai parar por aqui. Dado ao sucesso que teve, certamente irá continuar em 2018", disse Miguel Frasquilho, presidente do conselho administrativo da TAP, à Folha durante a viagem ao Recife. O Airbus 330­300 usado nesses voos recebeu uma pintura especial, que recupera a decoração dos aviões da companhia de meados dos anos 1950 até o fim da década de 1970. Com o desenho da bandeira de Portugal e a inscrição "Transportes Aéreos Portugueses", a aeronave deve operar nessas cores por dois anos, quando será substituída por um novo modelo Airbus A330­900Neo.

"Faz muitos anos que nós, pilotos, pedíamos uma aeronave com pinturas do passado", disse o comandante do voo, Paulo Nunes. Em 1970, ele tinha apenas quatro anos, mas se recorda de voar a bordo dos aviões da TAP junto com o pai, que foi mecânico da companhia. "É sem dúvida uma nostalgia. Me lembro de viajar e ver as meninas com essa farda", conta ele, se referindo ao uniforme das comissárias.

O modelo foi desenhado pelo costureiro francês Louis Féraud, vencedor do concurso aberto em 1970 para o design da roupa das aeromoças –a primeira da TAP a incluir minissaia, uma ousadia para a época.

Presente e passado

Nem tudo que era comum nos voos da década de 1970 pôde ser reproduzido pela viagem retrô da TAP como, por exemplo, o fumo a bordo.

Para não diminuir o conforto dos passageiros durante o trajeto de sete horas, a TAP também optou por manter os televisores de entretenimento, que não existiam naquele tempo. A solução encontrada pela companhia foi criar um canal de músicas portuguesas e uma seleção de filmes dos anos 1970, como "Rocky" (1976) e "Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança" (1977).

Nos aviões da década de 1970 também não havia divisão entre classes. Nesse voo, porém, houve diferença entre o que foi oferecido para as classes econômica e executiva.

Todos os passageiros receberam um "diploma de viajante do tempo", dois cartões postais, uma etiqueta de bagagem, um protetor para cartão de embarque e uma bolsa estilizada com o logotipo clássico da empresa, conhecido como Passarola.

Quem viajou pela classe executiva ainda foi presenteado com pijama, água de colônia, creme de mãos, pasta de dente e creme desodorante –todos de marcas usadas à época nos kits de higiene dos voos.

A louça e os copos de vidro também foram usados apenas pela classe executiva, mas os pratos principais do menu, assinado pelo chef português Rui Paula, premiado com uma estrela no Guia Michelin, puderam ser saboreados por todos os passageiros.

Eles podiam optar por bife à portuguesa (com presunto e batatas) ou bacalhau com purê de grão de bico. "Fiz essa escolha porque portugueses e brasileiros gostam muito de bacalhau. Além disso, na década de 1970, muito mais gente comia bacalhau, porque o peixe fresco não chegava a todo lado", explica Paula, também a bordo do voo.

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