terça, 28 de janeiro de 2020
SACADA

Jornalista cria site para ‘vender’ o Chile para brasileiros

09 JUL 2017 - 08h00Por Sílvio Andrade

A espanhola de Valencia, naturalizada brasileira e de sangue campo-grandense Amparim Plá Lakatos, jornalista e fotógrafa, teve uma transformação radical em sua vida ao se mudar para o Chile, há cinco anos, depois de passar pela redação dos principais jornais, agências de publicidade e assessorias da prefeitura e de parlamentares na Capital de Mato Grosso do Sul.

Aos 49 anos, casada desde novembro de 2012 com o protético chileno Jaime Gonzalez, ela superou dificuldades de adaptação, língua e trabalho, ganhou mais experiência, aprendeu a conviver com terremotos e alcança a estabilidade dando aula de fotojornalismo em uma universidade na capital chilena, onde dividindo com o marido o site EunoChile, que agenda passeios para brasileiros e estrangeiros pelo país.

A criativa e atraente página na internet (www.eunochile.com.br), lançado há sete meses, foi a grande sacada de Amparim, e reserva um futuro promissor em um nicho de mercado com testemunhos de sucesso. “Temos mais de 700 seguidores, sem pagar nada para impulsionar a divulgação, somente através de amizades, família que foram convidando pessoas para seguir-nos”, diz ela, que ainda não sobrevive da iniciativa.

Dividindo seu tempo entre a universidade e o site, a empreendedora conta com o apoio do marido para alavancar o negócio e já prestou serviços para grupos do Peru, Colômbia, norte do Brasil, interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiânia e também de Campo Grande, a maioria casais. É um serviço personalizado de passeios com foco no destino Santiago que tende a se expandir.

Amparim e o marido, Jaime Gonzalez, na vila de pescadores de Caleta Lenga, em Concepcón

“Para o futuro, estamos trabalhando para dar uma atenção aos clientes que querem ir direto a Patagônio e Deserto do Atacama, disponibilizar transporte para espera-los lá e fazer o tour com nossa equipe. Ou seja, nossa intenção não é ficar em Santiago e arredores, é partir para aventuras com mais adrenalina no sul e ao norte deste país”, aposta.

Persistência

Amparim completou 30 anos de fotojornalismo. Em 1987, aos 18 anos, iniciou carreira no Correio do Estado, passou pelo Jornal da Manhã, Jornal do Brasil Central e Diário da Serra, agências de publicidade (T&A, Z Dois, Macro) e atuou na área de assessoria de imprensa e, por último, o site Midiamax, antes de pegar as malas e partir para o Chile.

 “Conheci meu esposo, Jaime Gonzalez, no final 2011. Ele ficou dois meses em Campo Grande para conhecer toda minha família e em setembro de 2012 vim para o Chile. O fato de dominar o espanhol e ele na época não dominava muito o português, decidimos que eu me ‘sacrificaria’, deixando minha família, trabalho, amigos e toda minha vida em Campo Grande. Meu esposo é protético independente, tinha seu próprio laboratório de próteses em Concepción”, narra.

Muito apegada à família, Amparim teve um início bastante difícil. Pra começar, ela conta que o idioma local, na verdade, não é o espanhol, mas o chilenes, como falam por lá, cheios de modismos, e palavras bem distintas do espanhol originário da Espanha. “Apesar de que o Chile foi colonizado por espanhóis, houve muita mistura de culturas, como ingleses, alemães, argentinos e também o idioma da raça indígena daqui os mapuches”, lembra. “Mas aprendi rápido a me comunicar e entender seus modismos.”

A professora de fotojornalismo no Castillo Wulff, um dos monumentos históricos da cidade de Viña del Mar

Em Santiago

A cidade que aportou, Concepción, fica no sul do Chile. Decidiu procurar trabalho “para unir forças” e, por intermediário de um amigo do seu marido, conheceu o prefeito da cidade de Lota, um dos municípios mais pobres do país, recém-eleito, e foi trabalhar na assessoria de imprensa do departamento de educação. Foi um desafio, mas uma experiência também incrível, ela conta:

“A população de lá vive de pesca e vender produtos nas feiras. O numero de alcoolismo é gigante e os pais não se preocupam com as crianças. Trabalhamos duro para conseguir que todas as crianças fossem para escola e não ficassem nas ruas. muito boa à experiência. Trabalhei lá por sete meses. O salário era bom, mas não suportava o frio e a viagem que tinha que fazer todos os dias”.

O objetivo de Amparim, a esta altura, era morar em Santiago, mas ela e o marido não conheciam ninguém na capital. Por meio de amigos jornalistas de Campo Grande, fez contato com uma colega chilena, que se formou na Universidade Federal de MS (UFMS) e tinha um projeto de uma agência de notícias endereçada a brasileiros. Fez algumas frilas, produzindo textos sobre economia em português, e ai surgiu a oportunidade de se mudar para Santiago.

Novo desafio

“Já que eu havia deixado tudo em Campo Grande para vir para cá, meu esposo não pensou duas vezes, se desfez de seu laboratório de próteses, e no inicio de 2014 estávamos morando em Santiago. Eu com um trabalho, mas meu esposo tinha que correr atrás do seu. Não foi fácil, já que Santiago é uma das cidades mais caras para se viver da América Latina”, prossegue.

Diante das dificuldades, veio a ideia de trabalhar com turismo, “fazer algo diferente”. Ainda trabalhando na agência, Amparim e o marido começaram a estudar o universo do turismo e as opções que havia no país para brasileiros e estrangeiros da língua hispânica. Com “a ideia fixa” nesse novo projeto, veio o desemprego – a agência de notícias fechou – e o retorno a Campo Grande para rever a família.

Em Campo Grande com a família, Amparim fala de seu projeto no programa TPM, da jornalista Flávia Vicuña, no dia 14

A vida continuou, ela realizou trabalhos esporádicos como interprete e tradutora, enquanto o marido retornava à sua atividade, a prótese – em Santiago e Concepcion – e as coisas se ajustavam quando, de volta a Campo Grande, no fim de 2015, o site de turismo começou a sair do papel com a ajuda de amigos, um deles a jornalista Raquel Lopes, que passou a revisar os teus textos.

Ampliar negócios

Amparim já se dedicava inteiramente na concepção do site – O EunoChile é um serviço personalizado para turistas brasileiros e estrangeiros que pretendem conhecer o país –, enquanto seu marido cuidava da logística, quando pintou o convite para dar aula de fotojornalismo na Universidade Privada Andres Bello, em abril do ano passado. O site foi lançado no final de 2016, está bombando, mas o foco da espanhola campo-grandense e seu marido são a universidade e o laboratório de prótese.

“Não nos desesperamos com números de passageiros/clientes, já que nosso interesse é que o turista, que hoje nem desce da Van, conheça e desfrute dos lugares que pagaram para visitar”, projeta.

Segura de si, depois de muitas idas e vindas, a fotojornalista radicada em Santiago – ela está de férias em Campo Grande, paparicada pela família e amigos – quer manter o atual ritmo de trabalho, dedicando-se primeiramente na universidade, embora o site seja algo que lhe dê prazer.

“Quando nos contatam para passeios, tudo é agendado com antecedência, tudo fica preparado para atender e receber nossos clientes com exclusividade, para que eles e se sintam seguros e a vontade com pessoas falando o mesmo idioma, além de fazer com que a viagem desses passageiros seja inesquecível”, explica.

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