sábado, 25 de janeiro de 2020
VER PARA CRER

Acreditem: governo federal vai intervir no Rio Taquari!

22 OUT 2017 - 14h20Por Sílvio Andrade

Mais uma promessa, mais um compromisso assumido pelo poder público, para enfim recuperar o Rio Taquari, cujo assoreamento que avança por mais de 40 anos pela planície pantaneira inundou permanentemente mais de 1 milhão de hectares na região do Paiaguás, em Corumbá.

Desta vez quem garante é o presidente Michel Temer, em meio à turbulência da política nacional, em visita ao Refúgio Caiman, em Miranda (MS), durante encontro para discutir a proteção do Pantanal, neste sábado (21).

Temer assinou várias medidas na área ambiental,  entre elas a que assegura recursos que serão aplicados na recuperação da bacia do Taquari. O valor é parte dos R$ 4,6 bilhões em multas ambientais federais, que serão convertidas em ações de preservação por meio de c compensações ambientais.

“Se o Sarney (ministro do Meio Ambiente José Sarney Filho) não fizer (recuperar o Taquari) estes aplausos podem ser convertidos em vaias”, disse o presidente ao dar tom de serenidade ao compromisso assumido com os pantaneiros e com o governador do Estado, Reinaldo Azambuja.

Ações começam em 2018

Presentes em grande número no evento organizado pelo Instituto SOS Pantanal, receosos com ponderações de ambientalistas em relação à pecuária no Pantanal e tentativa de amputar nesta atividade o aumento do desmatamento, os pantaneiros foram surpreendidos com o anúncio do presidente. Mas, céticos, esperam ver para crer...

Fazenda ilhada pelas inundações do Taquari: região deixou de produzir boi e os danos ambientais são irreversíveis para a fauna e flora

O ministro Sarney Filho disse que os recursos provenientes das multas ambientais começam a ser aplicados na bacia do São Francisco, mas assegurou que ainda em 2018 as ações serão iniciadas na bacia do Taquari. Os estudos técnicos serão concluídos até dezembro, disse.

Em seu discurso durante o evento e se dirigindo ao Temer, o governador Reinaldo Azambuja falou da importância da medida para a solução de um dos mais graves e antigos problemas ambientais de Mato Grosso do Sul:

“Talvez uma das maiores conquistas para o meio ambiente brasileiro dos últimos tempos, que permite, através de uma legislação, poder fazer essa transformação de uma multa em serviços ambientais e recuperação do meio ambiente. Isso é tudo que precisávamos. Colocar como uma das prioridades nos editais a recuperação, talvez do maior desastre ambiental de Mato Grosso do Sul e um dos maiores do país, que é a recuperação do rio Taquari, sem sombra de dúvidas é um grande avanço”.

Caminho é o diálogo

Além de assinar o decreto que regulamenta a conversão de multas aplicadas pelos órgãos ambientais federais em serviços de recuperação de áreas degradadas, o presidente assinou Medida Provisória que estabelece regras para as compensações ambientais em unidades de conservação.

Anunciou também a elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Região Hidrográfica do Paraguai e a criação do Comitê Interministerial do Taquari. E o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, assinou portaria que tem como objetivo apoiar as ações para a conservação da região dos banhados de Bonito.

“Demos um passo para assegurar o futuro do Pantanal. E quando falo em desenvolvimento sustentável uso a palavra diálogo, e fiquei contente em saber que produtores e aqueles que se dedicam ao meio ambiente estiveram reunidos discutindo a preservação do Pantanal. O que precisamos fazer no Brasil é juntar brasileiros com brasileiros e não contra”, disse Temer.

Temer na Caiman, ao lado de políticos e representantes de órgãos e entidades ambientais: mais um compromisso para salvar o Taquari. Foto Chico Ribeiro

“Temos que caminhar – prosseguiu - por essa trilha, juntar aqueles que são produtores com aqueles que preservam o meio ambiente e nem um nem outro fará nada sem antes haver um amplo diálogo”.

O prefeito de Corumbá, maior município pantaneiro, Ruiter Cunha, participou do ato na Caiman e ficou surpreso com o anúncio do presidente e do ministro em relação ao Taquari. Ele disse acreditar que, finalmente, o governo federal assumiu sua culpa, ao incentivar o desmatamento do planalto na região norte do Estado (alto Taquari), e as intervençõesa acontecerão para salvar o rio, com reflexos econômicos, ambientais e também sociais.

Homem pantaneiro

Já o ministro Sarney Filho enalteceu o trabalho que está sendo feito para a preservação do Pantanal. “Demos início a um processo, sem volta, de destinação apropriada do Pantanal para as futuras gerações e principalmente para a melhoria das condições de vida das pessoas que aqui moram e que aqui tem o privilégio de desfrutar essa belíssima natureza”, afirmou o ministro.

O governador Reinaldo Azambuja também falou da importância de todos os segmentos envolvidos se empenharem na busca de ações integradas para o Pantanal.  “Existe uma convergência de ideais para se construir políticas públicas para que a gente possa ter desenvolvimento e sustentabilidade. É totalmente possível isso. Ouvimos aqui as universidades, as instituições encontrando caminhos para produção com sustentabilidade”, afirmou.

Ele enfatizou o papel do homem pantaneiro no processo de preservação do Pantanal, e defendeu a criação de mecanismos que remunere os produtores rurais que pratiquem as atividades de maneira sustentável. “A bacia pantaneira com 84% de preservação e o planalto com quase 35%, isso foi construído por essas pessoas que secularmente viveram ali e são os responsáveis pelo modelo de Pantanal que nós temos”, comentou.

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