sexta, 19 de julho de 2019

Uma reflexão necessária

04 FEV 2019 - 17h31Por ÂNGELO RABELO

Quando o governo federal decidiu há seis anos que o período da piracema seria de quatro meses, conhecedor do grande impacto socioeconômico, fui pessoalmente para Brasília provocar uma reflexão sobre a decisão. Depois de argumentos contundentes, convenci Dr Rômulo Mello (in memórian) Diretor de pesca à época, abrir fevereiro na condição de pesque e solte. Meu principal argumento era de que iniciaríamos uma transição. Afinal, já estávamos atrasados na prática.

Passado mais de cinco anos continuamos tirando volumes expressivos. Alguns empresários começaram a readequar suas estruturas. Menos freezers, reeducar os piloteiros a retirar os anzóis e, o mais importante, mostrar aos clientes que o prazer estava na briga, nas fisgadas, e não no matar. Hoje colhem os frutos. 

Sou testemunha de lugares onde a extinção tornou-se irreversível e também, de tempos remotos de massacre aqui. Frigoríficos tirando toneladas, apreensões de peixes capturados com rede. Imagine descarregar oito toneladas no porto geral de Corumbá...! O amador, 30 quilos e mais um exemplar. Algumas toneladas saiam todos os anos.

A discussão de hoje sobre a transição deve ser pautada por uma inteligência econômica e ambiental. Caso contrário, está fadada ao equívoco e sequelas graves. A refletir:

- tratar o peixe isolado de um ecossistema é um erro grave. É como ter um aquário e comprar muita ração e jamais limpar, trocar a água ou desligar o oxigênio. Morrem gordos;

- Acreditar que tucunaré pode ser o futuro é outro equívoco. Um urso polar sobrevive um tempo no trópico, mas morre na variação térmica;

- A perda de qualidade dos rios é inquestionável. O exemplo de quantas vezes você encalha seu barco hoje e há 10 anos é um indicativo. O aquário está sendo soterrado. Vide Rio Aquidauna, Miranda, Taquari...

- Somos uma planície sedimentar e estamos localizados no fundo do prato. Estamos na fila de uma sequência de sacrifício e morte, onde os taquarisanos já sucumbiram. O tempo, a ignorância e omissão não perdoa. Os moradores do planalto estão cada vez mais ricos;

- Buscar, a partir do conhecimento científico e econômico, uma discussão e planejamento de médio longo prazo, é a única alternativa para protegerem o negócio;

- Somos incomparáveis na estrutura de pesca desportiva e as decisões devem ser pautadas pela inteligência do “Negócio Ambiental” , não pela ambição ou pela política. Quem usa recursos naturais tem a obrigação de entender da sua matéria prima. Não é opcional. Caso contrário, quebra;

- Quando você permite pesca em lugar restrito, mata jacaré, permite que estoque peixe no seu barco para ser vendido, assiste morrer milhões de iscas, você está matando seu negócio e, lógico, não é ético;

- Não participar de discussões e uma forte entidade de classe, onde possam ajudar a construir uma política de médio longo prazo, é correr o risco de ser surpreendido por decisões equivocadas e precipitadas que poderão impactar no seu negócio. 


Ainda há tempo ....

(*) Ex-comandantre da Polícia Ambiental de MS, diretor de relações institucionais do Instituto Homem Pantaneiro (IHP)

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