quinta, 10 de setembro de 2026
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REFORMA DO MUHPAN VAI COMEÇAR PELO RESTAURO DO ICÔNICO CASARÃO WANDERLEY & BAÍS

Prefeitura anunciou abertura de licitação e, numa segunda etapa, vai recuperar o acervo danificado

10 SET 2026 - 12h15Por SILVIO DE ANDRADE

Abandonado durante os oito anos da gestão passada, a reforma do Museu de História do Pantanal (Muhpan), em Corumbá, finalmente vai acontecer e começa pela restauração do histórico prédio rosa Wanderley & Bais, construído no Porto Geral em 1876. A prefeitura anunciou a abertura de licitação para a obra e, numa segunda etapa, vai restaurar o acervo, parcialmente danificado.

O Muhpan está funcionando precariamente de segunda a sexta-feira, devido ao grave estado de conservação do casarão de dois andares – um dos mais imponentes na orla portuária - e do conjunto valioso de peças, documentos e registros ali instalado há 18 anos. A readequação do prédio foi orçada em R$ 1,3 milhão, recurso garantido por emenda parlamentar do senador Nelsinho Trad.

Wanderley & Baís: uma janela para o Pantanal. Foto: Silvio de Andrade

Encontramos um depósito de lixo”, foi a primeira reação da diretora-presidente da Fundação de Cultura de Corumbá, Wanessa Rodrigues, ao abrir as portas do museu na primeira visita que fez, em março do ano passado, com os membros do Conselho Municipal de Cultura. Na época, o prédio estava fechado, com ocorrências de furtos de equipamentos e do material exposto.

Descaso e omissão

A restauração do acervo não tem data prevista, depende da captação de recursos públicos (federais ou estaduais) ou privados – um dos canais seria a Lei Rouanet. A intervenção terá um custo alto segundo estimativa, em torno de R$ 4 milhões, em razão do estado lamentável da coleção que conta a ocupação humana do Pantanal em oito mil anos. 

“Na realidade, o museu nunca teve manutenção desde a sua instalação (2008), mas a situação causada por descaso e omissão se agravou após 2020, quando o município assumiu a sua gestão”, relata Wanessa Rodrigues. Ela adiantou que o museu funcionará durante a reforma do prédio, cuja obra mais complexa se concentrará no último andar, já interditado.

Ao lado da escada de ferro em caracol, infiltrações e danos no telhado revelam o abandono

Ao assumir o cargo em 2025, o prefeito Gabriel Alves de Oliveira assumiu o compromisso de intervir imediatamente, começando pela parte estrutural do prédio. Os levantamentos apontaram infiltrações, hidráulica e elétrica danificadas e furto de equipamentos. No terceiro piso, onde fica a área tecnológica, as goteiras no telhado (infestado de cupim) danificaram peças e obras de arte.

A implantação do Muhpan surgiu na primeira década deste século, quando se iniciou a reurbanização do porto e a recuperação do casario pelo Programa Monumenta. Projetado pela Fundação Barbosa Rodrigues, de Campo Grande, sua concepção extrapolou o projeto inicial com a riqueza de peças arqueológicas e artísticas resgatadas dentro e fora do Brasil.

As intervenções

O projeto de restauração do prédio, elaborado pela Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico (Fuphan), contempla a reforma geral e a manutenção da edificação, que integra o Casario do Porto tombado em 1993 pelo patrimônio histórico nacional. O imóvel possui 1.208,04 metros quadrados de área construída, incluindo um terraço.

Considerado um dos museus mais importantes do país, o Muhpan abriga em sua coleção o fóssil Corumbella, de 500 milhões de anos

Entre as intervenções previstas estão a recuperação da cobertura, melhorias no sistema de drenagem pluvial, reforma das instalações hidrossanitárias e conservação das esquadrias, gradis, corrimãos e guarda-corpos. Na cobertura, o projeto prevê a substituição da estrutura danificada, tratamento impermeabilizante das lajes e da drenagem predial e infiltrações.

Nos ambientes internos, a obra inclui substituição de pisos e revestimentos danificados, adequação dos sanitários e reforma do banheiro acessível para pessoas com deficiência, com instalação de novas louças, metais e barras de apoio conforme as normas aplicáveis.

As intervenções nas fachadas e esquadrias incluem pintura e restauro de portas, portais e janelas, além da recuperação de elementos metálicos e de madeira. O projeto prevê ainda a instalação de gradil metálico e adequações nas proteções de áreas abertas. Recentemente, o prédio foi iluminado, valorizando e destacando sua fachada e arquitetura de frente para o Rio Paraguai.
 

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