Representantes do governo de Mato Grosso estiveram na África do Sul, observando a gestão do Parque Nacional Kruger, ícone mundial da vida selvagem, para conhecer de perto como funciona um dos destinos mais famosos do turismo de natureza.
A experiência serve de inspiração para um projeto ambicioso: transformar o Pantanal em uma espécie de “savana africana brasileira”, com a onça-pintada no papel de estrela.
O plano é aplicar no Parque Estadual Encontro das Águas, em Poconé, práticas que unem preservação ambiental, geração de renda e turismo estruturado. A unidade abriga a maior concentração de onças-pintadas do planeta e já atrai pesquisadores, guias e turistas especializados. Agora, a meta é ampliar essa vocação e posicionar Mato Grosso no mesmo patamar de destinos tradicionais de safári, como Quênia, Tanzânia e a própria África do Sul.
Com quase 20 mil km², o Kruger recebe visitantes interessados nos “Big Five” — leão, leopardo, elefante, rinoceronte e búfalo. No Encontro das Águas, muito menor, com 135 mil hectares, a onça-pintada é a atração principal. Estima-se que haja oito indivíduos a cada 100 km², índice superior ao de leões em muitas reservas africanas.
“O Pantanal é o nosso cartão-postal e o carro-chefe do turismo mato-grossense. Aprender com a experiência da África do Sul é fundamental para criarmos um modelo que gere emprego, preserve a biodiversidade e coloque Mato Grosso entre os destinos mais desejados do mundo”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda.

Do leão à onça
A programação no Kruger incluiu apresentações sobre manejo de fauna de grande porte, combate à caça ilegal, infraestrutura para turistas e modelos de gestão financeira.
A iniciativa se soma à campanha internacional “Safari for the Senses”, financiada em US$ 150 mil pelo Fundo Estadual de Desenvolvimento do Turismo (Funtur). Produzido pelo fotógrafo brasileiro Filipe DeAndrade, radicado nos EUA, o material será exibido nos canais da National Geographic e terá alcance estimado em 10 milhões de pessoas, com postagens no perfil global da @natgeo, que reúne 280 milhões de seguidores.
O governo mato-grossense também aposta em eventos de promoção internacional, como a Galeria Visit Brasil, marcada para 28 de outubro a 1º de novembro, em Nova York, além de recepções a operadores estrangeiros no Pantanal e participação em feiras de turismo.
A comparação com a savana africana não é gratuita. Assim como o leão é símbolo no Kruger, a onça-pintada é o ícone do Pantanal. O desafio de Mato Grosso é transformar essa riqueza natural em um produto turístico capaz de gerar renda, atrair visitantes e consolidar a imagem do bioma como a África do Sul brasileira da vida selvagem.
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