sexta, 17 de julho de 2026
ARTIGO

Pulso de inundação ou seca em ascensão?

22 MAI 2026 - 16h51Por ARMANDO ARRUDA LACERDA

Quem? Quando? Onde? Por que?

Para uma resposta pantaneira como contraponto a estas perguntas respondidas em recente evento na UFMT, busquei ajuda de nossa eterna pesquisadora EKRezende que responde assim: “-O pulso de inundação, o ir e vir das águas ou o processo de enchente e seca é o processo ecológico essencial que controla a riqueza, a diversidade e a produção pesqueira em rios com grandes planícies de inundação, como é o caso no Pantanal.”

Para plena compreensão desta afirmação da doutura Emiko, que os pantaneiros aprenderam a respeitar, trazemos o artigo de MJ de Oliveira el All publicado em 22-01-2018 pela Unicamp
v. 13 n. 3 (2017), artigos denominados Ciclos climáticos e Causas Naturais das Mudanças do Clima:

“Estes pulsos ou ciclos nas escalas anual/diária, o clima obedece aos movimentos de translação e de rotação.”

Fácil entender então que há um ciclo anual, repetitivo, e, portanto, um outro ciclo maior, de décadas ou multidecadal o mesmo trabalho continua explanando:

“Ciclos climáticos de períodos médios (décadas/séculos/milênios) relacionam-se a mudanças na radiação solar, provocadas pela influência de grandes planetas do Sistema Solar. As oscilações oceânicas (ordem decadal) são possivelmente causadas por influências planetárias e lunares.”

Chegamos, portanto, que há ciclos de ordem decadal, períodos mais longos atribuídos aos fenômenos El Niño, Neutro e La Niña, conforme todo pantaneiro sabe.

O CPTEC- INPE nos informa com clareza:

“-O El Niño e a La Niña são partes de um mesmo fenômeno acoplado (atmosférico-oceânico) que ocorre no oceano Pacífico Equatorial (e na atmosfera adjacente), denominado de El Niño Oscilação Sul (ENOS). A fase El Niño do fenômeno acoplado ENOS refere-se às situações nas quais o oceano Pacífico Equatorial está mais quente do que a condição média histórica (climatológica), e a fase La Niña refere-se a situação oposta, ou seja, quando o oceano Pacífico Equatorial está mais frio do que a condição média histórica. A mudança na temperatura do oceano Pacífico Equatorial acarreta efeitos globais nos padrões de circulação atmosférica, transporte de umidade, temperatura e precipitação.”

Que? Quando? Onde? Por que? O Pantanal pode suportar um sofisma científico de que poderia virar esponja e caixa d’água, quando a natureza aponta que se trata de planície aluvionar plana?

Sempre seria postura científica adequada, raciocinar que manter o “status quo” nunca deveria ser uma postura neutra ou de precaução; por padrão, acabaria por continuar sustentando paradoxalmente, o sistema mais deletério.

Revogaram a geografia decompondo a Bacia Platina, dissociando os gêmeos xifópagos Bacia do Rio Paraguai e Bacia do Rio Paraná, menosprezaram o Aquífero Guarani, reservatório subterrâneo que sustenta toda população do Centro Sul da América Latina, inviabilizaram rotas fluviais imemoriais e toda a infraestrutura rodoviária e ferroviária existente procurando novas biobcenidades teóricas.

Aparentemente, essas manipulações tentam dar uma forma moderna para controlar a juventude em idade escolar, a partir daí, conseguir interferir em todos os outros aspectos políticos da vida humana, modernizando até a teoria malthusiana (Thomas Malthus) que previa fome, guerras e cataclismos ambientais capazes de destruir o próprio planeta Terra.

Considerados tais aspectos, deveríamos acalmar corações e mentes de que não há uma seca ou destruição do Pantanal em ascensão infinita, mas só algo natural que será sucedida por outro ciclo decadal contrário de enchente.

Para equalizarmos e tornar produtivo nosso raciocínio cabe relembrarmos que as águas tem um ciclo infinito, alternando entre o estado liquido, sólido ou gasoso.

O pantaneiro conhece estas alternâncias, e o que serio hoje água funda de andar de canoa, amanhã poderá ser uma sequidão de não se encontrar uma gota sequer, há estradas no Pantanal que em poucos quilômetros pode-se atolar tanto no brejo com num desértico areião.

No Pantanal, as consequências do fim de uma mudança climática de longo ciclo de década e meia de seca, repentinamente transformada em 1974 num ciclo pluridecadal de enchentes, acrescido das consequências do multinacional PRODECER (Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento Agrícola dos Cerrados) nas suas fases I, II e IlI , que terminou transformando o Pantanal num ponto de captação de capital humano e econômico barato.

Saque institucionalizado que foi capaz de sustentar essa travessia de um Bioma Cerrado no seu Planalto de entorno, até então constituído de terras improdutivas e sem infraestrutura, para o triunfo da produção mecanizada de commodities que sustentam as exportações que alimentam boa parte da população mundial.

Como dizem os velhos pantaneiros, pelo tamanho e quantidade de burros profetizando a próxima destruição do Pantanal, de olho agora nas commodities ambientais, até que os coices foram pequenos.

O pantaneiro expõe, baseado em ciência e pesquisas sérias, que basta o Brasil optar pela beleza da cultura tradicional para salvar o Pantanal da cruel imposição falaciosa injusta, desses bem remunerados arautos e profetas de um doentio apocalipse: “O fim está próximo”.

(*) Pantaneiro do Porto São Pedro, Amolar, Corumbá-MS

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