quinta, 04 de junho de 2026
IMPASSE EM CAMPO

LIGA DE ESPORTES ROMPE ACORDO DE GESTÃO E BLOQUEIA USO DE ESTÁDIO PELO CORUMBAENSE

03 DEZ 2025 - 14h41Por SILVIO DE ANDRADE

A decisão da Liga de Esportes de Corumbá (LEC) de romper o acordo com a prefeitura na gestão compartilhada do Estádio Arthur Marinho, firmado em 2023, coloca em risco a participação do Corumbaense no Campeonato Estadual do próximo ano, que começa em 18 de janeiro. A liga e o clube não têm uma boa relação e a situação se agravou com acusações mutuas sobre a troca de cadeado do portão do estádio, que virou caso de polícia.

A suspensão do contrato, onde o município assumiu a administração do estádio por dez anos, por intermédio da Fundação Municipal de Esportes (Funec), também gerou um conflito que deve avançar para o campo jurídico. O presidente da liga, Ronaldo Pereira Vieira, alega que a prefeitura não cumpriu o acordo na manutenção do estádio, referindo-se a gestão do ex-prefeito Marcelo Iunes, enquanto é acusado de tomar uma decisão unilateral.

“Ele não tem legitimidade para tomar a medida, sem ouvir seus clubes filiados e dialogar com a prefeitura, como se fosse o dono do estádio”, aponta a assessoria de gabinete do prefeito Gabriel Alves de Oliveira. A prefeitura alega ainda dificuldades administrativas para fazer algumas intervenções no Arthur Marinho devido às ingerências do presidente da liga. “Até para trocar uma lâmpada tem que pedir autorização para ele”, cita a fonte.

Sem valor jurídico

Reunião realizada na segunda-feira entre o presidente da liga e representantes da prefeitura não avançou um possível entendimento, onde ficou explicita a posição contrária da entidade quanto ao uso do estádio pelo futebol profissional, ainda que a praça de esportes seja a única alternativa do Corumbaense para cumprir exigências de mando de campo no Estadual. “A função principal do estádio é o esporte amador”, disse Ronaldo Vieira ao Campo Grande News.

Reunião na prefeitura terminou sem acordo: LEC propõe novo convênio, mas mandato do presidente está acabando

O dirigente alega que a gestão compartilhada não contempla a cedência do estádio para o clube, mas estaria aberto a um “acordo” desde que o Corumbaense assumisse a manutenção do equipamento durante o campeonato. Para o clube, nada mudou: existe um convênio em vigor com a prefeitura, inclusive para uso das dependências do estádio para alojar os jogadores, e todas as providências estão sendo tomadas para sua liberação para o campeonato.

“Não vamos entrar nessa polêmica”, avisa o presidente do alvinegro, João Luiz Ribeiro (Kiko). “Temos a cedência do estádio, inclusive estamos contribuindo para adequar as instalações para obter os laudos técnico e de segurança, e vamos focar a preparação do time. A decisão do presidente da liga de suspender a gestão com a prefeitura não tem valor jurídico. Não foi uma decisão dos clubes filiados, nem assembleia houve. Estamos tranquilos quanto a isso”, completou.

Falta bom senso

Para a administração municipal, a ruptura contratual sem embasamento jurídico, tomada exclusivamente pela liga e decisão pessoal do seu presidente, “desestrutura a gestão do estádio Arthur Marinho e interrompe o planejamento esportivo municipal”. E aponta que a medida “concentra poder na liga, que não tem recursos financeiros para manter o estádio, e ignora impactos esportivos, sociais e operacionais para a cidade”. 

A Câmara de Vereadores de Corumbá deverá entrar nesta discussão, inclusive com possibilidade de abertura de uma investigação mais detalhada sobre a contabilidade gerida pelo acordo de gestão compartilhada. Há informações de que o pagamento pela cedência do bar do estádio pela liga teria sido depositado em conta de pessoa física. “Nosso futebol não pode ficar refém de uma pessoa que não tem bom senso”, afirma o presidente da Casa, vereador Bira.

O impasse, no entanto, pode ser resolvido com o fim do mandato de Ronaldo Vieira, que termina em 31 de dezembro, enquanto a eleição da nova diretoria, realizada recentemente, está sub judice por supostas irregularidades. 

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