O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o governo federal tem total interesse em garantir que a Hidrovia do Paraguai se torne uma realidade. A declaração foi dada durante entrevista à imprensa após a inauguração da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres, no oeste de Mato Grosso.
“Total, total. Aliás, nós estávamos comentando sobre isso. O trecho que precisa ser desassoreado, precisa melhorar o calado, é de Cáceres até Corumbá. Então, esse é o trecho que precisa ter investimento. Vou conversar, sim, com o ministro dos Portos. Nós precisamos ter eficiência econômica, reduzir custos, melhorar a logística e integrar modais, integrar os vários tipos de modais. Então, a hidrovia do Paraguai é essencial”, disse Alckmin.
O presidente em exercício destacou ainda a importância da ZPE de Cáceres como instrumento de incentivo às exportações e de estímulo à industrialização regional. “Os setores que exportam, estando numa ZPE, têm um ganho econômico que ajuda no processo de exportação. Claro que podem vender para o mercado interno, mas aí pagam todos os tributos, para não causar desequilíbrio em relação às demais empresas instaladas no estado”, explicou.
Polêmica
O projeto da Hidrovia Paraguai-Paraná (HPP) é uma iniciativa antiga que liga Cáceres (MT) a Nueva Palmira, no Uruguai, com cerca de 4.100 quilômetros de extensão pelos rios Paraguai e Paraná. A proposta é considerada estratégica para o escoamento da produção do Centro-Oeste e integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) como uma das ações prioritárias do Ministério de Portos e Aeroportos.
Em setembro, o ministério realizou uma sondagem de mercado para concessão do trecho brasileiro da hidrovia, que compreende cerca de 600 quilômetros entre Corumbá (MS) e a foz do rio Apa. A concessão será a primeira do tipo no país e prevê investimentos privados, geração de empregos e integração logística entre os modais rodoviário, ferroviário e aquaviário.
A hidrovia é alvo de controvérsia há décadas. Pesquisadores e ambientalistas apontam que o plano de aprofundamento de cerca de 680 quilômetros do canal natural do rio Paraguai pode causar danos ao Pantanal, especialmente no trecho entre Cáceres e Corumbá, que inclui áreas de alta relevância ecológica como a Estação Ecológica de Taiamã. Estudos anteriores indicaram que o projeto pode gerar impactos significativos sobre o regime hídrico e a biodiversidade da região.
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